domingo, 9 de março de 2014

Cronicando pela Ásia... a descer o Laos até Vang Vieng

Descendo o Laos »» Vang Vieng,
08 de Maio de 2009


Parti de manhã cedo numa mini-van. Comigo seguiam um francês de meia idade e uma prostituta asiática, um inglês hippie (o John), o australiano Ângelo e a sua namorada Rossana.

Vim a falar muito tempo com John. Um daqueles que só se encontram nestas viagens. Tinha vindo da Índia, de onde estivera os últimos seis meses. Parecia encantado por estar a contar as suas histórias. De como estivera preso na Holanda por posse de drogas. 'Leves' - como dizia...

Foi ele que me falou da Índia, como ninguém o havia feito. De repente cresceu em mim a urgência de lá ir. Só conhecia a Índia de Hermann Hesse, Aravind Adiga ou de Arundhati Roy - a Índia dos livros. E o que aquele homem fez... foi contar mais uma história - a sua. E a sua, misteriosamente, era já a minha.


O Laos é um país esplêndido. A estrada vai descendo e contornando montanhas sem fim. Os montes sucedem-se uns atrás dos outros, num verde muito colorido. Volta e meia lá aparecem umas casas e uns cafés, umas mercearias e pequenas lojas para turistas. Tudo numa pobreza agoniante, sem explicação. Já tinha percebido que o Laos é um país duro, mas foi a descê-lo que soube o quanto.




Depois de uma pausa na área de serviço (com a melhor vista que já tive), lá fomos para as últimas horas. Faltavam 3, de uma viagem que demorou 8. Um pouco antes de pararmos, o francês pegou-se connosco - simplesmente por irmos a falar. Dirigiu-se a nós com vários insultos, numa rudeza inexplicável. Afirmando-se dono e senhor da carrinha e do silêncio que dizia ter direito. Aquela pega fez com que o resto da viagem fosse tenso e passado em silêncio. E foi para esquecer.


Chegado a Vang Vieng, procuro o rio. Sei que é do outro lado que se encontram uns bungalows, onde pretendo passar esta noite. Observo a cidade, que não é mais que um grupo de casas separadas por uma estrada. Muita gente a passar, sentadas em cima de camionetas de caixa aberta. Outras seguem de bicicleta. Na verdade, esta cidade é uma pequena aldeia. Mas tudo aqui é bonito.  E simples.



Passo o rio e chego à minha nova casa. Lá estou eu no paraíso, uma vez mais. O lugar é inóspito, nada tenho à minha volta a não ser paisagem. Por entre as casas pastam vacas e o único barulho que ouço é o dos badalos. Entro na minha cabana, tomo banho e deixo-me dormir um pouco. Enquanto faço tempo para jantar, pego num livro e leio. Sinto o balouçar da cama de rede que tenho na varanda. E apenas isso importa agora... Que bem me soube descansar um pouco.



Rodrigo Ferrão 

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