sábado, 12 de setembro de 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ver Bukowski

Um piscar de olhos aos fãs de Charles Bukowski. 
Uma capa a condizer com o seu sarcasmo.

"Ca
nso-me facilmente dos preciosos intelectos que precisam de cuspir diamantes de cada vez que abrem as suas bocas. Canso-me de ficar batalhando por cada espaço de ar para o espírito. É por isso que me afasto das pessoas por tanto tempo, e agora que estou encontrando as pessoas, descubro que preciso de voltar para a minha caverna."

capa de livro by Studio Mendell + Oberer Graphic Design 1967

Foto poema: Herberto Helder


terça-feira, 8 de setembro de 2015

nocturno


há uma voz que flui
trémula no subterrâneo da noite
afunda-se de tão frágil
como uma âncora à procura do ventre

o eco é matéria de profundidade
cais suspenso na beleza que luz.


Helder Magalhães


Fotografia de Jorge Pombo

É do borogodó: aumenta o som!

Quem nunca ouviu, ouça, porque a banda mistura frevo, blues, jazz, maracatu e sei lá mais o quê nessa mistura fina, elegante (e sincera!). Deve ser o efeito bolo de rolo com goiabada que só Pernambuco tem pra dar.
Uma esplêndida leitura musical.
Divirtam-se, crianças, com vida inteligente e swing. E para baixar o disco é só visitar a página, Banda Eddie.

Penélope Martins


“Após um hiato de quase quatro anos, a Banda Eddie lança o disco Morte e Vida, que sai em vinil e download gratuito pelo site da banda. São 11 faixas inéditas com participações de Karina Buhr, Erasto Vasconcelos, Jam da Silva, João do Cello e KSB. Fábio Trummer (voz e guitarra), Kiko Meira (bateria), Rob Meira (baixo), Alexandre Urêa (percussão e voz) e André Oliveira (teclado, samples e trompete) trazem no álbum, como eles próprios definem, a junção do blues, samba e surfrevo (mistura de frevo e surf music), sem esquecer, é claro, da raiz no Original Olinda Style, estilo criado pela banda, que já tem 25 anos de carreira e 12 com a mesma formação.
Inspirado na obra literária de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina (1955), no cotidiano e no atual cenário da política brasileira, o sexto trabalho da Banda Eddie, entre o processo de composição, produção e masterização, levou quase um ano para ficar pronto, segundo Fábio Trummer. “Eu compus as músicas no formato voz e violão na minha casa, em São Paulo, entre março e novembro do ano passado e enviei para os caras da banda no Recife. Passamos dezembro ensaiando e janeiro, no Recife, gravando as 11 músicas”, conta o vocalista, que aposta no novo trabalho como o mais completo e maduro da Banda Eddie. “Estamos na melhor forma da nossa musicalidade”, enfatiza.
Os destaques do álbum vão para a faixa título “Morte e Vida”, com pegada setentista de um rock quase reggae que mostra como as palavras podem semear a discórdia, e para a balada “Meu Coração” e o samba “Essa trouxa não é sua”, que estão presentes na trilha sonora do filme Que Horas Ela Volta? (2015), da diretora Anna Muylaert, que ainda não teve estreia no Brasil, mas foi eleito o melhor filme pela Confederação Internacional de Cinema de Arte no Festival de Berlim deste ano.”
– Marta Souza (Revista O Grito!)

Foto Poema: Teixeira de Pascoaes


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Bloom, um poema num Gin

BLOOM

Quem disse que beber Gin é para homens?
O meu nome é Joanne Moore.
Podia ser actriz, socorrista ou embaixadora das Nações Unidas,
mas o meu caminho sempre foi partir pedra.
Sou a única master destiller de Gin que o mundo conhece
e trabalho na destilaria mais antiga do Reino Unido.

Lá faço o Bloom, uma bebida que se inspira nos jardins britânicos durante o verão.
O verão dos teus olhos, quando demos o primeiro beijo,
o verão das pedras que atirávamos ao rio,
o calor de verão que nos deixava as peles vermelhas e escaldadas.
Os cheiros de madressilva, camomila e pomelo, por entre corridas que fazíamos monte acima.
Chegados lá ao alto, gritávamos e ficávamos a ouvir o eco,
celebrando a chegada de mais um pôr-do-sol,
numa promessa de eternidade.

Penso em tudo isto quando misturo um morango ao Gin, aprecio a doçura gélida que acompanha esta experiência. Ergo o copo ao céu, celebrando com as estrelas.

Para chegar onde cheguei,
precisei de muitos passeios,
mãos dadas,
malmequeres desfeitos,
de soprar o teu pai é careca aos ventos,
de abrir uma minhoca e perceber que ela ainda se mexe enquanto sofre,
ver uma raposa a escapulir-se lá no fundo do relvado, bosque adentro.

Ah, tudo isto é verão...
Ah, tudo isto é Bloom.
... um brinde às memórias.

*Rodrigo Ferrão

Porque aqui vai nascer um projecto diferente de gin, não perca os nossos poemas.

Foto poema: Tonino Guerra