sábado, 31 de maio de 2014

Poema à noitinha... Alberto Costa e Silva

A Despedida da Morte

Falo de mim porque bem sei que a vida
lava o meu rosto com o suor dos outros,
que também sou, pois sou tudo o que posto

ao meu redor se cala, e é pedra, ou, água,
cicia apenas — O teu tempo é a trava
que te impede de ter a calma clara

do chão de lajes que o sol recobre,
este esperar por tudo que não corre,
nem pára e nem se apressa, e é só estado,

e nem sequer murmura: — O que te trazem
é o riso e o lamento, o ser amado
e o roçar cada dia a tua morte,

que não repõe em ti o, sem passado,
ficar no teu escuro, pois herdaste
e legas um sussurro, um som de passos,

uma sombra, um olhar sobre a paisagem,
memória, cálcio, húmus, eis que o mundo
nada rejeita, sendo pobre e triste
no esplendor que nos dá. A madrugada.

*Alberto Costa e Silva, in Antologia Poética

foto tirada daqui

Alberto Costa e Silva ganha o Prémio Camões 2014

Brasileiro Alberto Costa e Silva vence Prémio Camões


Aos 82 anos o poeta, ensaísta e historiador brasileiro vence a edição de 2014 do Prémio Camões. Alberto Costa e Silva foi embaixador em Lisboa entre 1989 e 1992.
O poeta, ensaísta e historiador brasileiro Alberto Costa e Silva é o vencedor do Prémio Camões. O anúncio foi feito hoje, em Lisboa, pelo júri, composto por Rita Marnoto, professora universitária, José Carlos Vasconcelos, jornalista, e os escritores Affonso Romano de Sant'Anna, António Carlos Secchin, José Eduardo Agualusa e Mia Couto, vencedor em 2013.
O júri justificou a escolha, por unanimidade, pela "elevada qualidade em todos os géneros" literários, aos quais Costa e Silva se dedicou, e salientou também a sua "escrita refinada", que construiu "pontes entre os povos".
Alberto Costa e Silva nasceu em São Paulo, em 1931. Membro da Academia Brasileira de Letras, que presidiu entre 2002 e 2003, é correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e o décimo primeiro escritor brasileiro a ser distinguido com o Prémio Camões. 
A editora brasileira Companhia das Letras, na sua página na internet, considera-o "um dos mais importantes intelectuais brasileiros", "especialista na cultura e na história da África". Foi embaixador do Brasil em Lisboa de 1989 a 1992, seguindo então para Bogotá, na Colômbia, depois de ter ocupado cargos de representação em diferentes capitais, como Caracas, Roma ou Washington. 

Foto frase do dia: Clarice Lispector


Tom Gauld: THE POETRY GENE: A TIMELINE

THE POETRY GENE: A TIMELINE, Tom Gauld.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Poema à noitinha... Gilberto Mendonça Teles

Anulação

Ocupar o espaço
contido na sombra,
ser o pó do espesso,
o vão da penumbra,

o dó sem começo,
o nó sem vislumbre,
o invisível traço
do não-ser: escombro.

Ser zero, ou nem isso:
letra morta, timbre
do vazio no osso.

Ser aquém do nome
— o só do soluço
de coisa nenhuma.

*Gilberto Mendonça Teles, in Arte de Armar

Foto frase do dia: Manuel Bandeira


Editorial Presença - a feira do livro de Lisboa vai até sua casa

Uma boa ideia?


a-ver-livros: selva

Afaga devagar 
o animal que escondes
entre as pernas
sossega-lhe
as ânsias e o eriçado
da alma
que encurralado 
não há poema que salve
o que sobra da selva

Ana Almeida

* para saber mais sobre o ilustrador espanhol CarLos C. Laínez
sigam o link carlosclainez.blogspot.pt

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Foto frase do dia: José Mauro de Vasconcelos

via #andrevilela


Eu poético: «Breve nota»

Breve nota

passei pelo nosso amor.
estava ao cimo da ponte
e ameaçava atirar-se.

dei-lhe a maior força,
pedi-lhe coragem
e despedi-me com um abraço.

depois enchi-lhe a mochila de pedras
para que vá ao fundo
~~~
~~
~
mais
depressa.

Rodrigo Ferrão

Foto: Rodrigo Ferrão

a-ver-livros: electrocardiopoema

Na linha cardíaca dos dias
há arritmias insanas

mensuradas
no olhar que se fecha
sobre as linhas do livro

Nada é mais intenso
que, mesmo de olhos fechados,
poder ler as variáveis
da paixão

Ana Almeida

* para saber mais sobre o ilustrador polaco Dorian Denes
siga os links www.doriandenes.com e ink361.com/app/users/ig-8686955/doriandenes


quarta-feira, 28 de maio de 2014

As novas capas de Saramago

Foram hoje apresentadas, na Casa dos Bicos, as nove primeiras obras de José Saramago publicadas pela Porto Editora, a sua nova casa editorial em Portugal.

Numa conferência de imprensa realizada na sede da Fundação José Saramago foram apresentadas as novas edições. A principal novidade consiste no facto de as capas serem "assinadas" por personalidades do mundo cultural português. Cada uma delas escreveu pelo próprio próprio punho o título das obras - o trabalho gráfico ficou a cargo do atelier Silvadesigners. A lista dos "autores" das capas e dos títulos a serem publicados nesta primeira etapa é a seguinte:

Álvaro Siza Viera: História do Cerco de Lisboa
Armando Baptista-Bastos: A Noite
Dulce Maria Cardoso: Ensaio sobre a Lucidez
Eduardo Lourenço: A Caverna
Gonçalo M. Tavares: As Pequenas Memórias
Júlio Pomar: Manual de Pintura e Caligrafia
Lídia Jorge: O Homem Duplicado
Mário de Carvalho: A Viagem do Elefante
Valter Hugo Mãe: Intermitências da Morte

A partir de amanhã, dia 29 de maio, os livros estarão à venda em todo o país. As obras poderão também ser adquiridas no stand que a Porto Editora dedica a José Saramago na Feira do Livro de Lisboa, que abre ao público nessa data.


*esta informação foi retirada da página da Fundação Saramago: https://www.facebook.com/fjsaramago


Morreu Maya Angelou

Thursday, May 28, 2014
Statement from Dr. Maya Angelou’s Family:
Dr. Maya Angelou passed quietly in her home before 8:00 a.m. EST. Her family is extremely grateful that her ascension was not belabored by a loss of acuity or comprehension. She lived a life as a teacher, activist, artist and human being. She was a warrior for equality, tolerance and peace. The family is extremely appreciative of the time we had with her and we know that she is looking down upon us with love.
Guy B. Johnson

*página da autora, no facebook.


Muito pouco divulgada em Portugal, Maya Angelou tem apenas um livro publicado pela Estrela Polar. Fui procurar no site wook informações sobre os seus livros e a autora, e eis o que de lá retirei:

Maya Angelou

Poeta, escritora, actriz, professora e realizadora Maya Angelou passou a infância em Stamps, no Arkansas, tendo depois ido viver para São Francisco. Para além das suas autobiografias, sempre com grande sucesso de vendas, a primeira das quais intitulada I Know the Caged Bird Sings, escreveu um livro de culinária, Hallelujah! The Welcome Table, e cinco colectâneas de poesia, entre as quais I Shall Not Be Moved e Shaker Why Don’t You Sing?



Carta à Minha filha
de Maya Angelou
 
Escrita do coração para milhões de mulheres que considera fazerem parta da sua família

Sinopse
Dedicado à filha que nunca teve, Carta À Minha Filha mostra o percurso de Maya Angelou até alcançar uma vida boa e com sentido. Escrito no seu estilo inimitável, este livro está acima de qualquer género ou categoria: é ao mesmo tempo um livro de pequenas histórias, um livro de memórias, mas também um livro de poesia - e é um prazer absoluto. 

Em pequenos e fascinantes textos, Maya Angelou permite-nos vislumbrar alguns aspectos da vida tumultuosa que a levou à posição cimeira que ocupa nas letras americanas e lhe ensinou lições de solidariedade e de força: a sua educação por uma avó insubmissa no ambiente de segregação racial do Arkansas, a sua vida a partir dos treze anos com a mãe, uma pessoa muito mais mundana e menos religiosa, até se transformar numa adolescente meio desajeitada, cuja primeira experiência de sexo sem amor a deixou, paradoxalmente, com a sua maior dádiva, um filho. 

Maya Angelou escreve do coração para milhões de mulheres que considera fazerem parte da sua família. Como sempre acontece com as suas obras, Carta À Minha Filha é um livro que encanta e ensina. É um livro para estimar, saborear, ler várias vezes e partilhar.
Excerto
«Dei luz a uma criança, um rapaz, mas tenho milhares de filhas, Sois brancas e negras, judias e muçulmanas, asiáticas, hispânicas, ameríndias e esquimós. Sois gordas e magras e bonitas e feias, homossexuais e heterossexuais, instruídas e iletradas, e estou a falar para todas vós. Isto é o que tenho para vos oferecer.»

a-ver-livros: ser ou não ser

Era o que era 
e o que era foi
longe, muito longe
mesmo
do que podia ter sido

fosse outro o tempo
outro o lugar
e outro seria o fim
que nunca teve 
início

Ana Almeida

* para conhecer melhor o ilustrador francês Jean-François Martin
é só seguir os links costume3pieces.com/fr/galerie/Martin e noir-de-mars.blogspot.pt   

Gonçalo Viana de Sousa - O Flâneur das Sensações


O Flâneur já conhecido por todos nós revela-nos, agora, alguns dos seus apontamentos feitos nas suas viagens pelo mundo.
Começamos por este excerto de os "Cadernos de Nicosia".
Música e o Infinito, verdades angustiantes e redentoras.


Nada me obriga a escrever ou a sentir. Nem a vida, paixões amorosas, sonhos, desejos, segredos ardentes. Nem mesmo Deus.
Que vale, para mim, Wagner e esta sua composição? Não sei. Um terno apego, com sabores de lareira e chocolate quente, talvez croissants e uma manhã de céu nublado em Paris. Talvez uma sala de mogno, novamente a lareira, as canas de pesca a um canto, uma ninfa coberta por um cobertor de peles quentes e a minha falta de desejo de humanidade. Talvez. Que poder embriagante é este que a música tem sobre mim? Como resistir? Melhor, como poder descrever tal estado? Como transmitir em palavras que não sejam ténues e banais todas as cores e sensações do mundo? Uma manhã de Natal azul e familiar, um lume de sorrisos e um embalo de vozes conhecidas. Talvez os pais com o seu menino no colo. Talvez eu próprio e uma mulher, ou musa, acariciando um filho que nunca pensei ter, mesmo quando a música me leva às florestas do Danúbio, às encostas da Baviera e um sol que promete ser para sempre. Quem és tu, Richard Wagner? Quem te deu tal poder, autoridade, para hipnotizar os sentidos, sempre os sentidos, e libertar este divagar racional e áspero?
Quem poderia ser a minha Cosima, o nosso pequeno Fidi? E porque escrevo eu, para ti, leitor que irás, um dia, bem mais tarde, ler, ou não, estas argonautas impressões de um homem de meia idade e com vontade de chorar por razão nenhuma?
Falho os meus propósitos, e tudo me parece fazer escrever e sentir, acreditando na vida, nas paixões ardentes, nos sonhos e segredos íntimos que nunca supus meus. Que adianta fugir, sempre e sempre, a este hábito vagabundo de nada querer e acabar por abraçar o Absoluto?
Wagner, Wagner, Wagner! Talvez uns tons de arabesco, ainda que subtis, para me refrescarem a memória nesta tarde de meditabundo calor. Groselha e talvez água com gás e menta. Ou então soda, e limão, muito limão!
            Quem precisa de uma manhã de Natal para escrever sobre o mundo e as suas paranoias? Tudo é doentio, e, ao mesmo tempo, deslumbrante, como se tudo fosse uma primeira vez. Homem, Deus, Mundo, Arte. É sempre um alfa, ainda que despido do avesso. Sim, despido. Nu, como todos somos por dentro, farrapos de um universo que nos foi entregue sem o termos pedido.
            Pergunto-me se faz sentido algum todo este acumular de palavras ao som de Wagner. Como uma energia invisível. Cada nota a ecoar para sempre. Música a nascer. Para sempre. O Absoluto é ensurdecedor, encantador, esmagador, eterno. Para sempre.
            Fecho o caderno, acabo de beber o refresco. Saio do hotel com o desejo do Mediterrâneo – e Minos tão perto – com o desejo de mar antigo a cheirar a hortelã e talvez a azeitonas pretas. Coloco o panamá. Faz calor. Nicosia é um estado de alma. Wagner continua a fazer sentido. Só o silêncio serve para descrever o Belo. O silêncio e o olhar. Talvez a escuridão. Wagner continua, e continuará em mim, e em ti, e nestas palavras, enquanto houver leitores e quem escute com os olhos e o silêncio de dentro.
            Pensei ser capaz de acreditar na humanidade. Talvez. Mas, neste momento, quero o mar, ainda que seja como mera impressão, e o desejo de viver para sempre nestas palavras invisíveis que abraçam a pauta, os violinos, Cosima e Fidi. Já os vejo, ao final da linha, de gorro e cachecol. (o final será Nicosia ou o mundo e nada me move). Neva e faz frio dentro de mim, enquanto o calor aperta, aqui, em Nicosia.


 (https://www.youtube.com/watch?v=891JUSQplzU) - Foi esta a melodia proposta por Gonçalo, espero que desfrutem.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Poema à noitinha... Luís Filipe Castro Mendes

Eu Digo do Amor não Mais que a Sombra

Eu digo do amor não mais que a sombra.
Agora o quarto oferece toda a inclinação da luz
aos dedos que tremem só de aflorar
o que da carne é já incorruptível saber
e crispação sem causa natural.
São nossas inimigas as cortinas
amplas do verão, os fumos e vapores
que esta terra nos devolve, a fria
repercussão do espírito que treme
sobre um tão ausente e despossuído mundo.
Disse-te que voltasses devagar os teus olhos
para o mecanismo simples da erosão.
Eu parti há muito e neste quarto
apenas aguardo o relâmpago surdo do teu corpo,
a contenção muda e não menos esplendorosa
da carne recordada e pressentida.
No entanto, deixámos escurecer
excessivamente o mundo. Ele acolhe-se
a nós, com terror e evidência,
e nós, em verdade, que podemos dizer?
Eu digo do amor não mais que a sombra,
mas o teu rosto e a luz nada pode conter.

*Luís Filipe Castro Mendes, in Seis Elegias

É do borogodó: quem foi premiado?

E pronto, já há vencedor - neste caso vencedora - do livro infantil "Incrível História do Menino que Não Queria Cortar o Cabelo", da nossa Penélope Martins. 
 

"A história de infância mais sujismunda e engraçada que me aconteceu foi eu e os meus amigos procurarmos por minhocas e parti-las ao meio só para ver que elas continuavam a mexer-se em ambas as partes! Horrível, eu sei, e não faço ideia de como era capaz!"
Daniela MP

 
Digamos que é mais um caso de violência contra animais, não de sujeira. Mas a votação deu a vitória à Daniela MP por uma unha negra.



O que tem de fazer agora? Contactar o blog para sabermos a sua morada! Procurem-nos no facebook (na página ou no grupoou envie email para: blogueclubedeleitores@gmail.com



Parabéns!

Tom Gauld: AN ALPHABET OF BOOKS

AN ALPHABET OF BOOKS, Tom Gauld. 


David Kracov para conhecer

David Kracov nasceu em 1968 nos Estados Unidos.




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Poema à noitinha... Adolfo Casais Monteiro

A Tua Morte em Mim 

 À memória de Raquel Moacir

A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
descobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido.

*Adolfo Casais Monteiro, in O Estrangeiro Definitivo

foto saída daqui.

Carla Sá lança «O Anjo Maldito», n.º 3 da colecção Detetive Psíquico

*Por Carla Sá

No Detetive Psíquico 3, O Anjo Maldito:
«O tio Jorge tem de saber quem é o amigo invisível, a quem gosta de chamar “anjo da guarda” e que o ajuda nas mais diversas situações. Com a ajuda do Gustavo, iniciam uma perseguição que os leva até ao mar. Na Foz, o Gustavo é alertado por um rafeiro que o ajudara minutos antes, para algo que se passa num penhasco! Está nevoeiro e chove muito, mas consegue ver que uma rapariga é lançada às águas do mar. Após um salvamento atribulado, o rapaz fica impressionado com a sua beleza e depois de ter a certeza de que um terrível segredo põe em causa a vida da jovem, não mede esforços para a ajudar. Para isso, conta com a ajuda do irmão Nuno que só quer provar ao tio que tudo tem uma explicação racional e que os anjos não existem. Mas será mesmo assim? Será que não existem “anjos da guarda”? E maldições que se cumprem através dos tempos?»



No dia 31, "A poesia está na rua!" em Lisboa

Sábado, 31 de Maio
às 15:30 - 20:30



Seguindo o mote da primeira iniciativa organizada em Santarém, a 10 de Maio, "A poesia está na rua!" é uma caravana de poesia e música organizada pelos escritores Arlete Piedade Louro e Samuel Pimenta e pela "Literarte - Associação Internacional de Escritores e Artistas", pela "U.L.L.A - União Lusófona das Letras e das Artes" e pela "Associação Internacional de Poetas", no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, recriando o percurso dos Capitães de Abril em Lisboa. A iniciativa é realizada em parceria com o Café 100 Artes e a Associação 25 de Abril.

Todos são convidados a participar e a trazer poemas para dizer, acompanhados de um cravo, música, amigos e liberdade.

Abril ainda mal começou!

Roteiro da caravana "A poesia está na rua":

15h30 - ajuntamento poético e musical no Café 100 Artes, n.º162, na Rua dos Fanqueiros
16h30 - Terreiro do Paço (via Rua dos Fanqueiros e Rua da Alfândega)
17h00 - Arco da Rua Augusta
17h30 - Rua Augusta (no cruzamento com a Rua da Vitória)
18h00 - Praça Dom Pedro IV (Praça do Rossio)
18h30 - Rua do Carmo (frente ao Elevador de Santa Justa)
19h00 - Rua Garrett (ao início da Calçada do Sacramento)
19h30 - Largo do Carmo (via Calçada do Sacramento)
20h00 - Associação 25 de Abril (via Rua da Trindade e Largo da Trindade)

Artistas confirmados:

António Serzedelo (Dizedor)
Arlete Piedade Louro (Poeta)
Carlos Fernando Bondoso (Poeta)
Carlos Peres Feio (Poeta)
Catarina Castro (Poeta)
Gisela Ramos Rosa (Poeta)
Isaac Pimenta (Músico)
João Batista (Poeta)
Jorge Castro (Poeta)
Jorge Vicente (Poeta)
Leonora Rosado (Poeta)
Pedro Gon (Poeta)
Ricardo Rosado (Poeta)
Samuel Pimenta (Poeta)


*O texto é tirado do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1446080948965552/1453470564893257/

"A poesia está na rua", de Maria Helena Vieira da Silva

a-ver-livros: o vento que passa

Há um coração
na ponta dos dedos
exangue
inquieto
roubado ao peito 
adormecido
Há um buraco
por onde passa o vento
que fala de ti

Ana Almeida

* para saber mais sobre o pintor islandês Guðmundur Björgvinsson
siga o link

domingo, 25 de maio de 2014

Poema à noitinha... Luís Amorim de Sousa

Coisas

há coisas que vão ficando
fotografias louças contas antigas
não sei

debruçámo-nos tanto
sobre a minúcia do quotidiano
que o dia a dia excedeu as nossas vidas

não sei como resiste o que perdura

olho o telefone de coração na boca
e aponto coisas para não me esquecer

*Luís Amorim de Sousa, in Nadar no Escuro

foto: wook

Foto frase do dia: Frida Kahlo


Poemas de amor do Antigo Egipto

IV

Quando me dás as boas-vindas
De braços bem abertos
Sinto-me como aqueles viajantes que regressam
Das longínquas terras de Punt.

Tudo se muda; o pensamento, os sentidos,
Em perfume rico e estranho.

E quando ela entreabre os lábios para beijar
Fico com a cabeça leve, fico ébrio sem cerveja.

Tradução de Helder Moura Pereira



Os poemas datam de entre 1567 e 1085, a.C.
São-nos tremendamente familiares estes poemas antigos... E do Egipto! Logo dali, que nos habituámos a vê-lo numa grafia quase nada reveladora dos entes senão os seus pétreos perfis. Subtil civilização! 
Idênticas são as suas palavras, quero dizer, o lado apaixonado da fala; ou o mesmo rio de sempre, que ali está desde o princípio do Mundo para um transporte entre a vida e as muitas mortes da vida. 
Eram assim os antigos: mesmo sem grande esforço, já estavam no nosso futuro...

Retirado da introdução escrita por Paulo da Costa Domingos


Assírio & Alvim

Apanhei-te a ler... dia 3


Marilyn Monroe

Encontrado na página Improbables Bibliothèques, 
Improbables Librairies. A não perder por nada!