terça-feira, 21 de março de 2017

macieira


no jardim da casa
onde morei até aos dez anos
havia uma macieira
dava pequenas e verdes maçãs
assim que via
as maçãs pequenas e verdes
por entre a folhagem
que era ainda mais verde
corria a colhê-las
e a comê-las
eram agras e sumarentas
porquanto
não deixava amadurecer
as pequenas e verdes maçãs
hoje já não existe
a pequena macieira no jardim
da casa em que cresci até aos dez anos
ficou a poesia
de correr até ao pé dela
apanhando braçados
de maçãs pequenas e verdes.


Helder Magalhães


Sónia Silva

Eunice Arruda, pra sempre, é do borogodó!



A poesia permanecerá.
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Em homenagem à poeta Eunice Arruda,
neste triste dia de seu falecimento...



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terça-feira, 14 de março de 2017

Carolina de Jesus é do Borogodó!

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Carolina Maria de Jesus nasceu na zona rural de Minas Gerais, estudou até o segundo ano primário, foi católica devota embora sua mãe tivesse sido banida da Igreja por conta de parir filhos ilegítimos. Adulta, foi parar em São Paulo, trabalhando como catadora de recicláveis. Moradora da comunidade do Canindé, zona norte paulista, Carolina registrava o cotidiano das pessoas em seu diário, o que viria a formar seu primeiro livro e a obra consagrada de uma das primeiras escritoras negras do Brasil. 

Mudou-se para a capital paulista em 1947, num momento em que surgiam as primeiras favelas na cidade, e apesar do pouco estudo, escreveu mais de vinte cadernos com testemunhos sobre a favela. Seu livro, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960, teve mais de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países. No entanto, Carolina de Jesus morreu em 1977, aos 62 anos,  pobre e esquecida.

* Eu sou Penélope Martins, escrevo do Brasil para a ponte com o Blog Clube de Leitores unindo lusófonos na leitura, porque LER é do borogodó.

poesia


perguntam-me sobre a poesia
e eu digo que aterra e adentra a carne
como o reclamo na montra do talho
anunciando baixou asas.


Helder Magalhães


Katia Chausheva Photography

segunda-feira, 13 de março de 2017

Acaba de chegar: As Bifurcações da Ordem, Boaventura de Sousa Santos



Acaba de chegar às livrarias portuguesas a terceira obra de uma coleção de cinco títulos sobre a sociologia crítica do direito: “As Bifurcações da Ordem: Revolução, Cidade, Campo e Indignação”, de Boaventura de Sousa Santos. Tal como nas obras publicadas anteriormente - “O Direito dos Oprimidos” (2014) e “A Justiça Popular em Cabo Verde” (2015) - este livro é publicado sem se ter efetuado uma atualização de dados ou de bibliografia, e sem a intervenção nas análises feitas ao tempo em que os textos foram escritos.

Porém, ao contrário das obras anteriores, esta contém textos relativos a um período situado entre 1979 e 2016 e é, por isso, um volume particularmente revelador da trajetória científica do professor Boaventura de Sousa Santos na área da sociologia crítica do direito.

Neste livro, e entre outras coisas, o autor dedica-se a analisar a forma como os diferentes e complexos modos como a ordem jurídica, o direito e os tribunais, refletem os processos de transformação social e, simultaneamente, os influenciam.

“As Bifurcações da Ordem: Revolução, Cidade, Campo e Indignação” encontra-se disponível nas livrarias Almedina.

Sobre a autor
:

Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É igualmente Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.

terça-feira, 7 de março de 2017

prunus


lembro-me de em puto
haver comprado meio quilo de ameixas
a uma senhora na banca do mercado
tínhamos ido à praia
ir à água dá fome
quanto mais a do mar salgada
e comi o meio quilo de ameixas
longe de saber
que uns anos mais tarde
inclinar-me-ia sobre os teus lábios
com similar avidez
e assim estou
em contínua primavera à espera
que voltes um dia
trazendo o verão carmim
das ameixas.


Helder Magalhães


Marine Loup

é do borogodó!

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Ouvir histórias, é do borogodó!

O Clube de Leitura Quindim me convidou para contar histórias e eu, é claro, aceitei! O conto escolhido está na obra Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto, de Angela Lago, com selo da Companhia das Letrinhas.

Eu sou Penélope Martins e estou por aqui fazendo a ponte de leitura entre Brasil e Portugal na nossa seção É do Borogodó!

Corram chamar as crianças para ouvir histórias com som de Brasil.

Divirtam-se!!