segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Adeus, Aldiss

E mais um nome relevante da literatura que se vai.
Tive o prazer de privar com Brian Aldiss em Cascais, nos idos de 96, quando o trouxemos até cá como convidado de honra dos encontros de Ficção Científica organizados pela Simetria - associação cujo nascimento se deu, imaginem, porque um dia, enquanto jornalista e entusiasta da FC, me lembrei de juntar primeiro num artigo e depois à mesma mesa, a maior parte dos escritores de FC portugueses.

Aldiss era um gentleman e senhor de uma escrita e de um humor inesquecíveis.
Hoje, na sua morte, só vos posso dizer: se nunca leram nada dele vão à caça. Vai valer a pena. 

Ana Almeida



* (sim, há algumas coisas em português, graças ao escritor João Barreiros, no seu papel de editor de várias colecções de FC)
* leiam a que creio ser a sua última entrevista aqui, ao The Telegraph, de onde 'roubartilhei' a foto, da autoria de John Lawrence.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os armários da noite, Alice Vieira

esperar que voltes é tão inútil como o
sorriso escancarado dos mortos na
necrologia dos jornais
e no entanto de cada vez que
a noite se rasga em barulhos no elevador e
um telefone se debruça de um sexto andar
sinto que ainda ficou uma palavra minha
esquecida na tua boca
e que vais voltar
para
a
devolver
- Alice Vieira -
* este poema integra o livro Os Armários da Noite. Portugal: Editora Caminho.
** em vídeo, narração de Penélope Martins.
*** este post segue sob rubrica É do Borogodó!, na ponte de leituras entre Brasil e Portugal. 



domingo, 6 de agosto de 2017

Maria Trigueira, de Ivone Gonçalves

Saiu há pouco tempo um novo livro pela Kalandraka Portugal, de Ivone Gonçalves - Maria Trigueira.

Ivone Gonçalves (Cachopo, 1984): Mudou-se para Lisboa para estudar arquitetura em 2002. Em 2007 ingressou na Universidade IUAV ao abrigo do programa Erasmus e terminou o mestrado de arquitetura na Universidade Lusíada de Lisboa. Estabeleceu-se definitivamente em Lisboa em 2010, onde fundou o atelier ForStudio Arquitectos. Foi vencedora do Prémio Matilde Rosa Araújo, em 2015, na categoria de Ilustração.


Uma menina relata a vida na aldeia - o trabalho, as colheitas, os animais, as tradições. E sonha, com as andorinhas, cruzar os céus e ir ver o mar. Esse sonho torna-se real e ela viaja.

Um livro de ilustrações das nossas aldeias, das nossas infâncias. De traços muito intimistas, carregados dos hábitos portugueses e da nossa vida no campo.



SINOPSE

Maria Trigueira nasceu na serra, cresceu junto às searas de trigo e a cuidar dos animais… Mas, por entre os montes, sempre via ao longe os barcos a navegar. E o desejo de ver o mar crescia nela. Até que um dia decidiu partir e viajar. "Maria Trigueira" de Ivone Gonçalves é um álbum intimista, cujo traçado singelo das ilustrações a uma só cor cria uma atmosfera propícia à narrativa e ao sonho da protagonista a quem empresta o nome.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

sem título


de súbito o clarão
da tua nudez colheu-me
trago a pele
de quando fomos.


Helder Magalhães


Sónia Silva

Por que contar histórias?

Eu tenho me apresentado como narradora de histórias, e algumas pessoas - aqui no Brasil - me perguntam se tem diferença com o termo 'contadora'. O conceito pouco importa se a ação de narrar histórias é algo feito com mente e coração afinados: capacidade de contar uma história, transmitir emoção e lidar com a narrativa como uma força transformadora que poderá agir em outras vidas transformando as relações humanas.

Mas, por que contamos histórias?

*

Eu sou Penélope Martins, filha de uma família portuguesa da Aldeia de Zenisio; trago no baú de histórias muitas misturas, como se faz à brasileira, e um desejo enorme de sermos mais fraternos, mais cidadãos do mundo.

Minha publicação no Clube de Leitores faz a ponte de leituras entre Brasil e Portugal, sob rubrica É do Borogodó!



terça-feira, 25 de julho de 2017

caudal


leva-me para a outra margem,
pedi
atravessas todo o meu leito,
murmuraste.


Helder Magalhães




terça-feira, 11 de julho de 2017