quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

sem medo do mar

não tenha medo, não
da onda grande do mar
é mergulhar bem fundo
na hora que chegar

- Arícia Mess -



* Arícia é de Niterói, Rio de Janeiro, mas reside em Sampa. Desde os anos 90, a artista eleva nossa percepção melódica com a mistura alquímica de ritmos da música negra do mundo com os sons afro-brasileiros. Sem medo do mar é uma canção mantra de sua autoria.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

pec do pet




meu cão agora é pejota
eu não compro mais ração
dou um real, quero nota
até da vacinação.
o meu gato traz marmita
hamster, só com emibiei
sem horário de visita
nos novos termos da lei.
uma moeda pro peixinho
dentro do aquário joguei
e nem troco a água mais.
até mesmo meu porquinho
da índia terceirizei
sem direitos sociais.

- Marcílio Godoi - 

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Marcílio Godoi é mestre em Crítica Literária e Literatura Brasileira pela PUC-SP (2013). É jornalista diplomado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo (2003). Possui diploma também em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais (1988). Estudou na Escola Guignard - UEMG em Belo Horizonte. É colaborador mensal na Revista Língua Portuguesa desde 2007. É professor semestral convidado do GV PEC Comunicação Corporativa - FGV – SP,  desde 2008. Publicou, entre outras obras, São Paulo Cidade Invisível, Uma Reportagem Afetiva (Letras e Expressões, 2004); A Pequena Carta, Uma Fábula do Descobrimento do Brasil (Bom Texto, 2002); Ingrid, uma história de exílios, sobre as memórias da Segunda Guerra Mundial (Sagui, 2009); Pequeno Dicionário Ilustrado de Palavras Invenetas, (Sagui, 2007) e A Inacreditável História do Diminuto Senhor Minúsculo (SM Edições, 2013). Venceu o Prêmio Barco a Vapor (Edições SM) em 2012 e o Grande Prêmio Cásper Líbero em 2003. É Diretor de Criação da Memo Editorial, São Paulo.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Para Maria da Graça


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"Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. 

Este livro é doido, Maria. Isto é, o sentido dele está em ti. Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. 

A realidade, Maria, é louca. 

Nem o papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrastes essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra feia que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice versa, isto é, fechar uma porta bem aberta. 

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo. 

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave. 

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes ao dia: “Oh, I beg your pardon!”. Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosse eu?”. 

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não sabe quem venceu. Se tiveres que ir a algum lugar, não te preocupes com a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste. 

Disse o ratinho: “Minha historia é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance.” Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só um jeito de contar um vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos, irremediáveis, Maria. 

Os milagres acontecem sempre na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrario do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente. 

E escuta essa parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo como hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma maquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar em disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor. 

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado Maria, com as grandes ocasiões. 

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”. 

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira da nossa dor, Maria da Graça."

- Paulo Mendes Campos

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

alta noite já se ia

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alta noite já se ia,
ninguém na estrada andava.
no caminho que ninguém caminha,
alta noite já se ia,
ninguém com os pés na água.
nenhuma pessoa sozinha
ia, nenhuma pessoa vinha.
nem a manhãzinha,
nem a madrugada,
alta noite já se ia,
ninguém na estrada andava.
no caminho que ninguém caminha,
alta noite já se ia,
ninguém com os pés na água.
nenhuma pessoa sozinha
ia, nenhuma pessoa vinha.
nem a estrela guia,
nem a estrela d'alva,
alta noite já se ia, ninguém na estrada andava.
no caminho que ninguém caminha,
alta noite já se ia,
ninguém com os pés na água.

- arnaldo antunes -




quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Ana Cristina César


A imagem pode conter: texto


A página #mulheresqueleemmulheres é um projeto colaborativo que convida a todas as leitoras interessadas em compartilhar trechos de leitura, em vídeo ou áudio, de suas autoras favoritas; o objetivo, além de promover a leitura dos textos produzidos por mulheres, é incentivar a prática de sororidade como instrumento de luta contra o machismo e a misoginia.




quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

a pedra e o caminho

Ainda que não saibamos como, nem por onde ou quando; ainda que não tenhamos força para, nem alavanca que ou braços extras; ainda que as considerações ejam infindáveis... sempre haverá a pedra, o caminho, a pedra no caminho, e a impossibilidade de fugirmos para longe de nós mesmos.

PS. Talvez seja uma sorte excepcional termos a poesia para nos dizer coisas como essas. Do Brasil para Portugal, em trilhas de leitura com uma dose de Drummond.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Crónica tripeira de Lisboa: um fim-de-semana de invasão

Porto » Lisboa,
17 | 18 | 19 de Novembro




O cerco de Lisboa foi em 1147, durou alguns meses e a cidade foi conquistada por D. Afonso Henriques aos Mouros, com a ajuda dos Cruzados.

Este podia ser o mote das festas que uns amigos dão na cidade, oitocentos e setenta anos após a conquista. A solenidade pede aos convivas armas e munições (minis, vinho e sacos de gelo) e convoca pessoas do norte (especificamente do Porto e Minho), da capital, arredores, sul e outras paragens. É portanto uma mostra de Portugalidade.

Nota: muitos lisboetas acreditam que norte (o conceito regionalista) é Coimbra. Errata: não, Coimbra é centro! Norte é Minho, Trás-os-Montes e Douro Litoral. Lá pelo facto de qualquer terra acima de Lisboa ficar num ponto cardeal diferente, não quer dizer que a origem do termo possa assim ser tão banalizada.

Na festa, os grupos vão fazendo pequenas ilhas e medindo distância. As meninas tímidas protegem-se em bando, os rapazes mais novos vão para a pista improvisada. Os mais habituais ficam na cozinha ou corredores de acesso, circulando pouco. Quem já se conhece desfaz-se em cumprimentos, retoma conversas deixadas a meio num ponto anterior. E depois existe sempre "a novidade" – um número considerável de pessoas que aparece pela primeira vez e, com isso, arrasta todas as atenções.

Tudo parece calmo, as garrafas vão-se abrindo lentamente. Há uma grande panela com uma poção de Panoramix, a quem se vai dando pouco valor – "é suminho", dizem. Só que não é, não é mesmo! Como qualquer poção, esconde grandes poderes - já lá vamos aos efeitos.

Passo muito tempo à conversa, falo com um amigo que aparece na festa com uma garrafa de whisky do Futebol clube do Porto (provocação à casa maioritariamente benfiquista). Depois viro as atenções para outro grupo – discutimos a possibilidade de pegar nas histórias de um deles e transformar a sua vida numa personagem de um futuro romance meu. Ele será tudo aquilo que é, mas com um toque maquiavélico e perverso, nas doses certas.

A lua ainda sobe e a festa começa a deixar de ser uma conversa de café para passar a ser uma pista de talentos. Tudo com imenso cuidado, não vá a vizinha da frente assustar-se. Afinal Lisboa é isto: uma enorme aldeia de casas muito próximas.

Por volta das duas e pouco tudo desce à rua. A festa separa o grande grupo em pequenos aglomerados. Impossível seguirem todos para o mesmo local, organizar a logística de boleias, Uber e táxis. Fazem-se as primeiras vítimas: parte da organização, pais de crianças, pessoas da cidade, os rotineiros de levantar cedo... tudo isto abandona a noite.

Fico nas sobras (na minoria, talvez). Estamos convictos que a noite ainda espera algo de nós e descemos. O grupo é misto, inclui conhecidos e algumas pessoas que nunca vi. A viagem no Uber segue e eu sinto-me alheado do mundo lá fora. Resolvo ter uma conversa longa com uma amiga sobre assuntos sérios. Mas isso fica para depois, somos deixados à porta da catedral do som, na passadeira vermelha.

Fechou uma discoteca em Lisboa e tudo parece um caos de gente ainda maior. Não sei dizer quantas pessoas estão ali, mas nunca pensei ver esta multidão. Começo a perceber que a noite vai ser de perdas, de casos abandonados, de tropeços vários. E, portanto, sinto-me em missão – tenho que proteger o grupo das agressões exteriores.

Danço as poucas músicas que gosto, mas acabo por ir apagando – modinha brasileira martelada, com letras de bradar aos céus: não é o melhor de Lisboa. Consigo perceber que haja público para isto, mas não cantarolo uma frase sequer.

A noite termina com vários sobreviventes (vá lá). Arrasto dois até à roulotte dos hambúrgueres – para não irem para a cama de estômago vazio. Seguimos num táxi até à Lapa, já me deixaram a chave e não incomodo ninguém ao entrar. Os outros dois seguem para outros destinos, fica por ali esta aventura.

O dia seguinte acorda tímido, a vontade de sair da cama é pouca. Abro os olhos cedo, mas deixo-me ficar. A brigada da limpeza ainda não se juntou, vou aguardar que o primeiro se levante.

Saio da cama assim que ouço passos e começamos a encher sacos de lixo, quase em modo automático. Garrafas, copos vazios, cinzeiros, cascas de queijo, caroços de azeitona, lixo acumulado na cozinha. Há um pouco de tudo, a noite foi propícia à acumulação.

Passa quase uma hora até que vou para o banho, já com almoço marcado no Mercado de Campo de Ourique.


O banquete é com um amigo, enquanto mando mensagens a mais pessoas para aparecer. Pedimos ambos uma boa sandwich de carne, com um molho e umas batatas de acompanhamento. O grupo vai crescendo durante a tarde, cada vez maior e mais animado.

Quando saio da mesa para ir tomar um café, encontro a actriz brasileira das novelas da Globo, Giovanna Antonelli. Ela estava ali ao nosso lado a fazer perguntas sobre sumos, enquanto esperávamos. Olhei para a minha amiga e perguntei: “quem é?" - nos segundos seguintes liguei logo a cara à pessoa, mas não sabia o seu nome. Descontraidamente perguntei-lhe então o nome e se estava em Portugal em trabalho. Respondeu-me que não, que estava de férias. E depois tirámos uma fotografia os 3.

Já passava das nove quando fomos jantar à Casa dos Passarinhos – nos limites de Campo de Ourique, mas já a chegar às Amoreiras. Pedimos um bom naco de carne na pedra, acompanhava com batatas, um pouco de grelos e molhos. Cada um tratava dos seus bifinhos, passava pela pedra o tempo que quisesse. Aconselho desde já a visita, foi óptimo.

Depois de jantar, apanho um táxi para ir ter com outro grupo. Hoje vamos a uma festa de anos de 3 amigas, no bar Skones, em Santos. O bar fica numa antiga fábrica remodelada, mesmo na zona do rio - há também um enorme restaurante (que desconheço se é bom ou mau), um pequeno bar com mesas de bilhar e com um ambiente de adega de bons vinhos.

O grupo vai dançando ao som da música. O DJ parece não acertar muito com os estilos e passa de um clássico dos anos 80 para uma música moderna, indo depois a um folk. Nós não sabemos bem corresponder, mas há um esforço colectivo para nos destacarmos do grupo de mulheres de meia idade que nos rodeia. Ah, que figurinhas faziam! Impossível descrever.

Depois do aniversário e dos parabéns, voltámos à pista para os últimos cartuchos. Distribuíram-nos Chupa Chups, isso pareceu dar-me extra poderes de dança. Mas pouco depois é cortada a animação com o Tudo O Que Eu Te Dou, do Pedro Abrunhosa. Sim, esse é o sinal evidente de despejo.

Saímos, o frio aperta ali junto à beira-rio. Decidimos festejar o resto da noite em casa, uma dúzia de nós. Ainda há cervejas de sobra (da noite anterior) e o telemóvel faz a festa. Dança-se mais um pouco, conversa-se e fazem-se uns vídeos. Mas está tudo cansado, o sono começa a fazer os primeiros convites.

Vou-me deitar, um dos meus amigos dorme no sofá. Cubro-o com a bandeira do Benfica e tiro-lhe uma foto para recordação póstuma. Vou dormir, por hoje basta.

O domingo é para combinar a volta para o Porto. Marcam-me viagem para as 17, não tenho muito tempo para passear - mas ainda passo na Cristal, para o tradicional croquete. Desço as ruas da Lapa em direcção a Santos. Numa rua, avisto uma casa com pouco mais de 2 metros de diâmetro e imagino o que é viver ali, acordar e ir de uma janela à outra em poucos segundos.


Caminho mais e entro na Igreja de Santos-o-Velho. Sou imediatamente atraído pelo magnífico tecto pintado, com contornos dourados. Entre outras histórias (que investigo mais tarde) sobre este espaço, registo a seguinte curiosidade:

“O convento, entretanto entregue à Ordem de Santiago, foi também espaço de relevo em diversos momentos da nossa História, tendo ficado indelevelmente ligado à desgraçada saga Nacional de 1578, quando pela mão do Rei Dom Sebastião, Portugal se perdeu na Batalha de Alcácer Quibir.


Diz ainda a lenda que o rei, que muito gostava de passar temporadas neste espaço, ali ouviu Missa pela última vez antes de embargar para a sua derradeira viagem e que terá sido ali mesmo, algum tempo antes, que terá tomado a decisão que acabou por resultar na perda da independência de Portugal.”


Saio em direcção ao Cais do Sodré e paro na Igreja de São Paulo. Mais um tecto fantástico, em Trompe-l'oeil. Aprendo que esta magnífica e exemplar obra foi reconstruída depois do grande terramoto que arrasou a cidade.

Espanto-me com a sua beleza, com os pormenores que convidam a ficar em silêncio e contemplação. Tantas e tantas vezes ali passei, de noite é o nosso local de convívio. Mas passou-me completamente ao lado, até hoje. Visita cumprida.


Continuo em direcção à rua do Alecrim, que sobe até Camões. Ali recordo um almoço que tive há uns meses, no Palácio Chiado, mesmo à frente do quartel dos bombeiros: uma experiência muito interessante. Passo à frente do teatro Trindade e estaciono uns minutos no miradouro de São Pedro de Alcântara. Impossível ignorar a vista da cidade, com o castelo a observar indiferente o casario que se estende até ao Tejo (foto no topo da crónica).

Passo pelo Príncipe Real, rua da Escola Politécnica, botânico. Registo mais um tecto de uma Igreja, a de S. Mamede. Mas saio à pressa, tiram-se fotos de um baptizado recente. Reparo na eminente abertura de uma nova livraria, a Almedina, mesmo a chegar ao Rato. Espreito lá para dentro, com pena de ainda não ter aberto – fica para a próxima.


Aproximo-me do jardim da Estrela, volto a registar a perfeição das tardes de domingo daquele lugar. Decido tirar uma foto à fachada da Basílica, que tanto me acompanha nas visitas a Lisboa. Sigo pela Buenos Aires e despeço-me de todos. Digo que agora só em 2018, vamos lá ver se cumpro.

Parto para o meu Porto, o número de quilómetros continua a aumentar e o tempo passa. E eu importado com isso!


Texto e fotos: Rodrigo Ferrão