sábado, 25 de novembro de 2017

Correndo o Brasil: um pneumotórax no rodopio no Rio

Rio de Janeiro
11 de Agosto de 2014




"Amanhã, vai ser outro dia." Acordo com Chico nos ouvidos e saio para a praia, ainda é cedo. A segunda-feira é agitada no Rio, mas Copacabana parece passar ao lado da cidade. Na praia, os vendedores atacam todas as pessoas que pareçam turistas, com um ar ligeiramente perdido. Nós não somos excepção, há raparigas no grupo e muitos bikinis para vender.

Bebo uma água de côco enquanto observo as ondas a quebrar e a morrer na areia. Hoje estão baixas, convidam ao mergulho. Assim faço, inaugurando as águas da América do Sul. Não sinto uma grande diferença para o mar de Portugal. Afinal, o atlântico que banha os nossos países é bastante semelhante - pelo menos naquele ponto do Rio.

É já de tarde que o grupo fica a saber que um amigo nosso teve um pneumotórax e está num hospital do Rio. A condição é estável, mas foi tudo de madrugada, numa casa onde estava uma outra parte dos convivas. O susto foi grande, mas está tudo bem. Preocupa-nos o facto de estar numa enfermaria, guardada por dois seguranças de metralhadora à porta. Como há muitos acertos de contas no Rio, é normal seguirem as pessoas até ao hospital. Esta é a forma de assegurarem que ninguém entra ali dentro - pôr policiais de vigia. Brutal, mas terrivelmente eficaz.


Sou dos que não vai ao hospital, já lá está meio mundo. Saio com um outro grupo para a Lapa. O objectivo é visitar a Escadaria do Selarón, mas, mal nos aproximámos do destino, o taxista avisa-nos que as obras religiosas estão a dar comida aos pobres e vagabundos. Isso significa que, lá pelo meio, há muitos gatunos prontos a atacar grupos de turistas. Somos desaconselhados a ir neste momento e é então que damos instrução para seguir viagem até Santa Teresa.

Este bairro de classe média-alta está cheio de lojas bem decoradas, de bons restaurantes, de casas de influência colonial, jardins luxuriantes e vistas maravilhosas para o Rio, do alto da serra. O caminho para lá chegar é relativamente perigoso, alguns taxistas recusam o percurso. Isto porque a estrada é de pedra e também porque há alguns moleques que espreitam um assalto, se a oportunidade surgir.

O grupo fica ali estacionado a tomar um bom lanche, conversando um pouco e a apanhar o sol da tarde. Não está um calor abrasador, mas está agradável. Falámos do nosso amigo no hospital, há uma médica no grupo que se dispõe a ajudar.


Dividimos as pessoas e eu fico com uma rapariga. Os táxis não param e decidimos apanhar o ónibus. É um veículo relativamente pequeno, com uma barreira que circula com a força do corpo, ao entrar. Pagámos o bilhete e vamos bem lá para o fundo. O caminho passa por bairros pobres até desaguar na baixa da cidade. O trânsito é uma preocupação àquela hora, mas a carreira vai ainda fazer um desvio ao aeroporto Santos Drummond. Uma grande volta até apanhar as grandes vias do Flamengo, seguindo depois para Copacabana.

Somos deixados no Arpoador, a rocha que entra pelo mar e divide Copacabana de Ipanema, onde tinha estado de manhã, no dia anterior. Perdemos o espectáculo das palmas que as pessoas batem ao pôr-do-sol, mas ainda estavam vários surfistas a apanhar ondas.

Ficámos um bom tempo à conversa, sentados na rocha. Contemplávamos a praia, as pessoas, a alegria. E decidíamos o que fazer a seguir, com tanto que o Rio nos tem para dar. E, de repente, aparece mais uma amiga! O grupo fecha para decidir onde ir. A noite será animada, ao ritmo do samba.

Rodrigo Ferrão 

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