terça-feira, 17 de maio de 2016

é do Borogodó!


Tem sido complicado viver num país com tanto pra se fazer. E quando eu digo isso, certamente não me refiro à construção de pontes, praças e viadutos, embora a construção civil nos deva entregar escolas e hospitais...

Meu ponto nevrálgico é toda ação capaz de tornar o povo capaz de pensar com autonomia.

Parte da minha família foi acolhida nesta terra; aqui teve mais filhos, netos e bisnetos. Eu tenho amor incondicional pelo Brasil, mas não deixo de refletir sobre o mapa de desigualdades que (ainda) nos define.

Talvez (ou não-talvez) por isso, uma mistura de utopia e sentimento de urgência nasceu em mim e me fez mergulhar na formação de indivíduos para leitura.

O projeto Mulheres que Leem Mulheres é um dos meus temas do momento e veio para ficar; ele tem me despertado para muitos aspectos da realidade brasileira no tocante à formação da leitora e do leitor - compreendam aqui a proposital indicação de gênero.

As mulheres foram vítimas do patriarcado em todos os piores sentidos, não seria diferente na literatura. Sua alfabetização foi permitida há um século ou pouco mais, e se antes apareceram mulheres letradas na história foi pelo luxo da nobreza, que educava suas fêmeas para o casamento.

No entanto, bem diz o verso de Adélia Prado, 'a mulher é desdobrável', os gráficos apontam que, mesmo com tanta violência e discriminação, os números se inverteram com porcentagem maior para mulheres alfabetizadas, consequentemente leitoras também.

Cada vez que interpelo uma criança sobre leitura em casa, mais de 80% me responde que ela acontece com a mãe - ou com a avó, ou tia.

O que vem dessa força feminina? Que tipo de matéria forma esse ser mulher tão resignada à resistência?

A gente busca saber na vida e nos livros.

Por isso, leio um trechinho da mulher escritora Rosa Montero provocando sobre o que ler e de quem ler.



Eu sou Penélope Martins, toda semana presente aqui no Blog Clube de Leitores, compartilhando leituras. É Brasil, é do borogodó!




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