terça-feira, 10 de maio de 2016

é do borogodó!



Lembro da vez que perguntei para as crianças quem gostaria de ser ou ver uma sereia. Todos levantaram as mãos, empolgados com a ideia. Dei risada, revirei os olhos, cantei uma canção do mar.
Sereia gosta de mastigar, e vocês, meninos tão bonitos, de certo seriam bons petiscos!
Lindas sedutoras da voz macia, as sereias cantam para atrair navegadores para o fundo do mar. Um feitiço para saciar o apetite voraz que se alimenta de marinheiros.
Cresci com a imaginação povoada por mitos e animais fantásticos. Não era pra menos, minha mãe me batizou como Penélope que, na narração clássica da Odisseia, é esposa de Ulisses, o Rei de Ithaca, na Grécia antiga.
Enquanto Penélope enfrentava a ira dos homens, governados por ela, Ulisses atravessava os mares e vivia toda sorte de acontecimentos.
As sereias vieram do fundo do mar, os Ciclopes quiseram devorar os homens como se comessem pequenas ovelhas, com ossos e tudo, a Feiticeira Circe deu uma poção mágica que fez Ulisses adormecer por sete anos…
Quando a história se conta, o imaginário responde. Quem já ouviu falar em unicórnio sabe o que sonhar seu galope, sua crina longa e a magia de poder tocar seu chifre.
Mas quem não sabe pensar bruxas, unicórnios, sereias, ogros, pégasos, cérberos, grifos, simplesmente não flutua com destreza pela história. A tela fica branca, sem movimento, esperando que alguém conte o que é, como é, de onde é. E cada coisa se sabe torna possível acessar outra informação mais distante. Como um jogo, o saber quanto mais sabe, mais desejar saber além; talvez seja por isso que Sócrates, o filósofo, tenha dito (disse?) ‘só sei que nada sei’.
Os livros recheiam nossa mente de elementos para novas narrativas. São os livros as pontes para novos territórios da imaginação.
Inegável a construção da nossa cultura a partir dos mitos gregos, por isso, conhecer suas histórias torna possível compreender muito das nossas tradições, dos símbolos que utilizamos e, também, das relações humanas  que estabelecemos.
Divertidamente, José Jorge Letria e André Letria, pai e filho, reuniram uma galeria que abriga “Os animais fantásticos” ajudando a povoar a imaginação das nossas crianças e adultos. O livro, editado no Brasil pela Peirópolis, de São Paulo, reúne 19 seres míticos, com apresentação poética de cada uma delas.
Um livro lindo, sim, e com uma riqueza estética que transborda suas páginas aguçando a curiosidade do leitor, afinal a revelação do saber conduz ao desejo de saber mais e mais.
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Eu sou Penélope Martins e, toda semana, estou aqui no Clube de Leitores para compartilhar leituras diretamente do Brasil, com a rubrica "É do Borogodó!". A postagem de hoje, originalmente foi publicada no meu blog Toda Hora Tem História.

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