terça-feira, 18 de agosto de 2015

The Botanist, por Rodrigo Ferrão

The Botanist

Junto zimbro a tons de menta.
Procuro no insólito
e inóspito da ilha, 
os sabores da minha infância.
Sabugueiro, melissa, camomila.
Bétula, espinheiro, cardo e urze.
Ulmária, cecília, atanásia…
E também tojo ou coalha-leite.
Mãe pátria que me protege, local que me viu nascer.
Mãe Escócia que resiste e mantém-se de pé, pedaço de terra que carrega homens orgulhosos.
Batalhas e muitas vidas derramadas, alguém tem de proteger os filhos que são trazidos no ventre.
Porque são eles os futuros guerreiros,
porque são eles os defensores das lendas e das belas canções,
porque são eles os guardiões dos longos Invernos que pintam a tundra de branco.
Vejo lagos sem fim,
monstros que saem dos sonhos e fogem para o fundo dos lagos.
Vi erguer muralhas em forma de castelos,
velhas destilarias,
Whisky e Gin.


Na memória carrego longos momentos de felicidade,
condensados neste preciso minuto.
Que bom seria agarrar-te pela mão
e ir para esse lugar que parece ter ficado para trás.
Corpo que não sou,
menino que não volta,
pessoas que me fugiram
e nunca mais regressam.
 
Rodrigo Ferrão

Porque aqui vai nascer um projecto diferente de gin, não perca os nossos poemas.


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