domingo, 5 de julho de 2015

Old English


Chamam-me velho,
como se a velhice fosse defeito.
Sou velho de facto,
preciso de óculos
para ler jornais
mas não para ler poesia,
e já não dispenso chapéu,
borsalino de feltro nos dias de frio,
complementi Don Giuseppe!,
panamá de palha nas tardes de hipódromo.
Quando de fato,
botões de punho de um tio-avô, obviamente aviador,
camisa branca e a surpresa de um gerânio encarnado na lapela.
Pois é, sou velho e antiquado como uma garrafa de champanhe,
assim que a cada sorvo exijo cerimónia,
fato de gala, fraque, vestido de lantejoulas,
música de orquestra,
que comme il faut sei valsar a vienense, a inglesa e o foxtrot,
vontade de dançar até o alvorecer
e absoluta sede de viver.

Raquel Serejo Martins



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