terça-feira, 19 de maio de 2015

É do borogodó: Sobre formigas


Não há coisa mais bela
do que uma formiga a carregar
uma folha
cem vezes maior do que ela.

A carregar? …ou a vogar
em soberbo barco a vela,
sacudido pelo ar?

A formiguinha assemelha-se
aos viventes, já sem forças
quando sobre eles desaba a dor.

Uma formiga não morre
como morrem os mortais:
desiste de existir.

***

– Armindo Trevisan, poeta gaúcho nascido em Santa Branca, em 1933. Doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Fribourg, Suíça, com a tese Ensaio sobre o problema da criação em Bergson (1963).Nesse mesmo ano, fez curso de aperfeiçoamento em Paris. De 1969 a 1970, e de Setembro de 1974 a Fevereiro de 1975, foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Actuou como Professor Adjunto de História da Arte e Estética na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 1973 a 1986. Leccionou, também, no curso de pós-graduação em Artes Visuais da UFRGS até 2000. Poeta, crítico de arte e ensaísta, tem obras traduzidas em várias línguas, especialmente alemão, italiano, espanhol e inglês. Foi escolhido como patrono da 47″ Feira do Livro de Porto Alegre.

*Penélope Martins na nossa ponte para o todahoratemhistoria

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