domingo, 3 de maio de 2015

Correndo o Brasil: sair do Flamengo até Copacabana

Rio de Janeiro
8 de Agosto de 2014

 
Volto para trás, percorrendo Botafogo a caminho do Flamengo. O mesmo espanto pelo caos urbanístico, potenciado pelo vai-vem de pessoas e automóveis, buzinas e canos de escape. A frescura da sombra das árvores suaviza o tempo abafado que se faz sentir, embora corra uma brisa leve no ar.

Pelas ruas de Flamengo vejo muitos botecos animados. As pessoas sentam-se junto a uma mesa alta e redonda ou ficam assim de pé, segurando a cerveja gelada na mão - o chopinho, como se diz por lá. As conversas são ruidosas, um ou outro corpo balança e ri-se alto. Entro para provar uma batida de gengibre. A batida é feita com a raiz e com uma generosa dose de cachaça. Arde garganta abaixo, todo o cuidado é pouco. Mas é deliciosa.

Na rádio passa um samba de Noel Rosa, um dos maiores artistas brasileiros de sempre. Nome que anoto num papel para investigar mais tarde. E é em si uma grande descoberta, aconselho vivamente.

Entro nos jardins do Museu da República, pela rua do Catete. O belo edifício acolhe uma pequena livraria, onde vejo os primeiros livros desde que estou no Brasil.

Cá fora há um belo e cuidado jardim que fotografo sem parar. As árvores de copa enorme e os esguios coqueiros compõem este espaço, que tem um pequeno coreto a meio do percurso. De repente esqueço a cidade, os prédios altos e a confusão. Aqui tudo parece ser bem arranjado.

De volta às ruas, pelo largo do Machado, sento-me para beber um suco de abacaxi e hortelã. Os sucos brasileiros são os nossos melhores aliados, num país onde encontrar uma sopa é complicado.

Vou a casa do meu amigo e pego as malas. Voltarei ali dentro de alguns dias, no regresso de Belo Horizonte. Mas agora é tempo de ir para a praia. Apanho o metro para Copacabana, um dos mais famosos locais deste Rio.

Saio e procuro o meu novo grupo. Eles estão na ponta oposta onde me encontro e é para lá que sigo. Percorro posto a posto da praia, num cenário fantástico. Pela primeira vez estou no calçadão de Copacabana, aquilo que os meus olhos se habituaram a ver apenas nas novelas e televisão. O sol já começa a descer, mas ainda dá para sentir a sensação de ver o Atlântico nesta outra margem.

Abraço o grupo quando o vejo, numa enorme alegria por os encontrar. Rapidamente nos pomos de partida para casa, no posto 3.

É tão bom começar a ver os amigos que vão estar comigo nesta aventura, nesta viagem que irá ser feita em grandes grupos, pequenos ou mesmo sozinho.

A casa onde vou ficar é simplesmente incrível. Mesmo em cima da praia, com tudo o que é preciso. A vista não podia ser melhor, o cenário perfeito.

Só há tempo para tomar um banho e vestir roupa lavada. O jantar é na Lapa, e muita animação nos espera noite dentro...

Rodrigo Ferrão 

2 comentários:

  1. Que saudades! Fico feliz que estejas aproveitando. Experimente o suco de cupuaçu e açaí na tijela de manhã se não experimentou ainda ;)

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  2. Bem, na verdade estou a escrever a crónica no passado :)
    E esta foi no dia 8 de Agosto!
    Açai na tigela de manhã tive muito, mas creio que falhei o suco cupuaçu!
    Saudações

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