domingo, 12 de abril de 2015

O Viajante

O Viajante

O viajante vem para a rua, é um viajante perdido. Aonde irá?
Que lugares irá visitar? Que outros deixará de lado, por sua deliberação ou impossibilidade de de ver tudo e falar de tudo? E que é ver tudo? 
Tão legítimo seria atravessar o jardim e ir ver os barcos no rio como entrar no Mosteiro dos Jerónimos.

Ou então, nada disto, ficar apenas sentado no banco ou sobre a relva, a gozar o esplêndido e luminoso Sol. Diz-se que barco parado não faz viagem. Pois não, mas prepara-se para ela. O viajante enche de bom ar o peito, como quem levanta as velas a apanhar o vento do largo, e ruma para os Jerónimos.
José Saramago, Viagem a Portugal (1981)
    

Marta Antunes, 2015

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