sexta-feira, 6 de março de 2015

Um poema de Vítor Sousa

No fim, nada haverá de novo.
As horas mortas passam a ser consecutivas,
Uma alteração inofensiva para quem
Já não corre perigo
De viver....

Está quase a cair a noite
E os morteiros já se preparam
Para abater este poema.
Tenho de desligá-lo, Pai.

[Antes, vou assinar com o meu nome
A certidão de óbito.
Se eu só escrevia nas horas mortas,
Morrer será um ofício sem dias inúteis.
Escuta: Tu és a primeira pessoa singular.
Não me deixes órfão deste erro.
Over (dose) and out.]
 
*Vítor Sousa
 
Foto: Rodrigo Ferrão

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