quinta-feira, 5 de março de 2015

As Correntes, a Snob, a Flanzine, a Christelo, a MM Viana e um cheiro a «Desamparo»

foto: Ana Christelo
 
Uso a cidade da Póvoa pelo menos uma vez por ano, nas Correntes D'Escritas. Mas este ano atrasei-me. E o que prometia ser uma tarde de grandes discursos, de muitos escritores e palmas... foi mais um lusco-fusco de cumprimentos e rápidos encontros. Demorei a descobrir o teatro, tardei a encontrar lugar para o carro. Andei por ali perdido, entrei praça pedonal adentro, pensei abandonar o veículo à sua sorte... e o desespero era grande para um sábado que se queria feliz.
 
Subi o teatro escadas acima; as portas fechadas e os escritores lá dentro. Ao pé da banca dos livros havia uma sala onde era transmitido na tela tudo o que se passava. E ali me deixei ficar para ouvir o Onésimo, grande repetente das mesas. Já todos tinham falado, reparei que tinha chegado no último discurso. E assim foi este ano, um mar de piadas do Onésimo Teotónio Almeida. E assim foram as minhas Correntes.
 
Encontro a Emília da Snob. Estava com o Hélder, seu namorado. Dizem-me que vai passar um documentário sobre o Cortázar. Mas eu queria descer para ver se via mais algum amigo, descartei o programa.
 
A malta da Flanzine estava na rua, com o Azul, o Renato Filipe Cardoso e mais alguns entusiastas. O Duarte (Snob) irrompeu multidão dentro e trouxe ao seu lado a Rosa Azevedo. Falou-se do Livro do Amo - do João Pedro Azul e do João Concha. E depois apareceu o António Cabrita, que animou uma espantosa conversa. O Duarte encontrou mais um livro que é um tesouro perdido, de Raul de Carvalho.
 
Eu, a Emília e o Hélder fomos lanchar. E ali nos deixámos ficar. Aéreo como sou, pensei que havia mais festival. A emoção a vencer a razão e eu imaginando-me a assistir a intermináveis horas de conversas dos escritores. Para minha surpresa acabou. E ali me despedi dos amigos.
 
Felizmente voltei ao teatro e subi lá cima. E com visão de falcão vi a Maria Manuel Viana lá do alto. Andava há algum tempo com vontade de a conhecer. Decorria a entrega de prémios às escolas, cantava-se e celebrava-se com as crianças. E de repente, tão só de repente, avisto a Ana Christelo. Amiga de longa data do Clube, fotógrafa com alma e uma verdadeira fã dos livros e escritores.
 
E deu-se o encontro. Não antes sem passar na livraria ambulante para comprar O verão de todos os silêncios. Lá descemos para conhecer a Maria Manuel Viana. Meia dúzia de palavras, agradecimentos pelo encontro não marcado e umas palavras no livro. É sempre mágico o momento em que deixamos de ser fantoches virtuais e viramos carne e osso. E é óptimo escutar pela primeira vez a voz.
 
Não é?
 


A Maria Manuel lá deixou escapar que no dia seguinte estaria nas Fnacs do grande Porto, para dar mão à amiga Inês Pedrosa - na apresentação do seu romance «Desamparo». E então fiz-me à estrada e apareci.
 
Num discurso simples e bem organizado, a apresentadora lá foi desvendando a amizade e a profunda admiração que tem pela Inês. Falou do facto de ser importante os escritores apoiarem-se entre eles. Nesta longa caminhada juntas, nunca deixaram de divulgar o que cada uma faz. E é assim mesmo que deve ser, digo. 
 
 
 
Ainda antes do autógrafo da Inês, a Maria Manuel resolve voltar à conversa com o público. E diz que há um ilustre amigo na plateia, um apaixonado e grande divulgador da literatura, que tem um blog, que ontem tinha estado na Póvoa, hoje ali...
 
Corei por perceber que era eu. E corado fiquei até sair! Mais ou menos.
 
Despedimo-nos com uma promessa - «Rodrigo, depois dá-me a tua morada pelo facebook para te enviar o Teoria dos Limites
 
E assim foi, recebi-o hoje. E feliz fico por não ser mais que um virtual amigo!
 
Rodrigo Ferrão
  
Todas as restantes fotos: Rodrigo Ferrão

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