quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um poema (e foto) de Mar Babo

Sou propensa a cefaleias
cardíacas, defeito congénito que 
propaga maus olhados a quem me
espreita por dentro
{e lá}
raiam flores na fechadura dos ossos
jugulares rasgadas por risos
e mãos coladas a par, até que a
morte, gentil, os separe
{depois}
latejam as têmporas, à falta de
visita adicional, um ventre abastado
e breve, com toque de recolher
obrigatório à cela que ainda sou
{eis que}
se solta o verbo da carne e se
enche de chuva o lençol, o cetim
de tão crónica e livre a clausura
cede à palma da mão redentora
{sabendo que}
em mim se embebe, de mim se evapora.


*Mar Babo

Na foto: Mar Babo, Rodrigo Ferrão e Helder Magalhães

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