terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

encandeamento

percorro o alfabeto da carne
que das palavras o reverso é o meu tecto
leio na pele o rútilo
das estrelas que morreram faz tempo
e sobre o papel cinjo
as letras a filigrana e sangue
apenas visíveis à contraluz

quero o encandeamento
para além daquele que seduz
aquele que forja no âmago
o magnânimo
o verso que só a fenda do silêncio
reconhece seu

uma voz que se tece
subterrânea
é mais exímia que uma bala.


Helder Magalhães


Rui Costa - Photography

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