segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Aves de incêndio

Fui o Verão por que esperavas
a cada Inverno,
as tardes infinitas,
os passeios de mãos dadas,
uma só a sombra no chão.

Lábios que não sabiam beijar,
que aprendiam a beijar
que beijavam por tudo e por nada.

Sofregamente
por tudo e por nada.

O corpo a arder,
os pés descalços,
o chão em chamas.

Era Verão,
a estação dos incêndios,
os fogos por apagar,
as flores na pele a queimar.
É sempre Verão
quando os corpos
se despem assim.

As noites insones.
As luas enormes.

Nocturna,
dançavas comigo,
até ao romper da aurora.
Dizias sempre bela aurora,
como a canção
e não gostavas de dançar,
porém comigo,
por mim,
dançavas.

E a dançar
chegou a tarde no nosso adeus,
uma tarde igual a todas as tardes
sem nuvens no céu ou ameaças de chuva,
apenas levemente mais fria,
porque já Outono
e nós aves de uma só estação,
aves de incêndio.






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