quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ana Catarina Gil Campos: Sobre o ofício de ser escritor…

Sobre o ofício de ser escritor…

Há vários tipos de escritores e, dentro de cada tipo, cada escritor vive a escrita à sua maneira, por isso, vou escrever o que é, para mim, ser escritora. Fui educada para tirar um curso superior que me possibilitasse ter um emprego estruturado e isso fez com que nunca tivesse visto a escrita como uma possibilidade de ser a minha atividade profissional. Contudo, sempre escrevi mesmo antes de saber escrever quando brincava com as letras. Juntava aleatoriamente algumas letras escrevendo-as num papel e perguntava aos meus pais se aquela palavra existia no mundo dos adultos. Por vezes tinha sorte, noutras nem tanto. Depois de aprender a escrever, a brincadeira de juntar letras passou a ser a minha verdadeira e libertadora forma de me expressar, diariamente, em folhas soltas de papel que guardava só para mim. Foi em Agosto de 2010 que comecei a pensar seriamente no sentido da minha vida, numa crise saudável de existencialismo, e percebi aquilo que era tão óbvio: não há nada na vida que me realiza mais do que escrever. Foi a partir dessa iluminação que me permitiu ver como sou, que me assumi socialmente como escritora e nunca me senti tão genuína como a partir desse momento, como se tivesse regressado a mim. Esta pura forma de respirar permitiu-me sentir-me, ver-me e mostrar-me como realmente sou. Por isso, para mim a escrita não é um ofício, não foi algo que escolhi para mim, apenas escolhi aceitar aquilo que me escolheu. Todos os meus sentidos estão ligados à escrita, voluntariamente e involuntariamente, como se fosse um órgão vital tal como o coração, os rins ou o fígado. A escrita para mim é uma paixão, uma entrega, uma necessidade.

 Desenho da autoria de Ana Catarina Gil Campos - “Sentir é querer ser"

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