domingo, 26 de outubro de 2014

Alfredo transforma poema de Tolentino


 
 Os justos, de José Tolentino Mendonça
Começam o dia louvando o imperfeito:
O tempo que se inclina para o lado partido
as escassas laranjas que se tornam
amarelas no meio da palha
as talhas sem vinho

Olham por dentro a brancura da manhã
e em tudo quanto auxilia um homem no seu ofício
louvam o vulnerável e o inacabado

Estão sentados à soleira dos espaços
trabalhados devagar pelo silêncio

Quando Deus voltar
não terá de arrombar todas as portas
(in Estação Central; ed. Assírio & Alvim, 20120)
 


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