domingo, 4 de maio de 2014

Porque Mãe rima com poesia

“(…) elas são as Mães.
(…) Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E como duram! Feitas de urze ressequida, parecem imortais. Se o não forem, são pelo menos incorruptíveis, como se participassem da natureza do fogo. Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-nos com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços. Às vezes encostam-se à cal dos muros a ver passar os dias, roendo uma côdea ou fazendo uns carapins para o último dos netos, as entranhas abertas nas palavras que vão trocando entre si; outras vezes caminham por quelhas e quelhas de pedra solta, batem a um postigo, pedem lume, umas pedrinhas de sal, agradecem pela alma de quem lá têm, voltam ao calor animal da casa, aquecem um migalho de café, regam as sardinheiras, depois de varrerem o terreiro. Elas são as Mães, essas mulheres que Goethe pensa estarem fora do tempo e do espaço, anteriores ao Céu e ao Inferno, assim velhas, assim terrosas, os olhos perdidos e vazios, ou vivos como brasas assopradas. Solitárias ou inumeráveis, aí as tens na tua frente, graves, caladas, quase solenes na sua imobilidade, esquecidas de que foram o primeiro orvalho do homem, a primeira luz.”

Excerto do texto de Eugénio de Andrade, As Mães


Ackvile Magicdust, Skin


E com magia:

Gosto da minha mãe porque ela é linda, também é fofa, é quentinha.
Gosto da minha mãe porque fazemos gargalhadas, jogamos à bola e a mãe dá-me beijinhos e gostamos dos abraços um do outro.
Gosto da minha mãe porque a minha mãe compra-me histórias e traz para minha casa muitas histórias.
Gosto da minha mãe porque a mãe é minha amiga, brinca comigo, corre comigo, lavamos os dentes juntas e ficamos nas mesmas cadeiras.
Gosto da minha mãe porque é a minha mãe.
(Respostas de crianças de 5 anos)

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