quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poema à noitinha... Edmundo de Bettencourt

Asas

Do colo branco da paisagem
saíram, abrindo-lhe um buraco ensanguentado,
a cara dela
que era uma sereia
e que era uma pantera a rebolar no chão
aos rugidos metálicos do amor
sob a forma de nuvens muito ao longe...

Despertei-me o felino adormecido.

Depois houve, feridas, duas bocas beijadas
que sangravam imenso na cozinha
onde ela calma e virruosa ia mexendo a sopa!

E tudo após ter-se partido
uma enorme porção de loiça,
mas como se não tivesse havido nada!

*Edmundo de Bettencourt, in Poemas de Edmundo de Bettencourt - Assírio & Alvim

foto tirada daqui.

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