domingo, 23 de março de 2014

Cronicando pela Ásia... o dia em Vang Vieng

Vang Vieng,
09 de Maio de 2009


Depois de uma noite de conversa e das histórias dos amigos feitos no dia anterior, acordo e vou tomar o pequeno almoço. O meu "resort" inclui um breakfast americano, mesmo ali à beira-rio.

Acordei com as vacas a pastar mesmo ao lado da cabana. Tinha chovido um pouco ontem ao fim-da-tarde e hoje o céu parecia querer rebentar a qualquer momento. Vou ao banho - de mangueirada, como deve ser. Reparo no curioso intruso que já lá está, mesmo ao lado do sabão. É uma pequena rã que chama por outra.

Bem, se calhar o intruso sou eu...

Na Ásia, a vida animal dorme connosco. Além das inconvenientes baratas e mosquitos, temos as osgas. E é deixá-las estar, mal se mexem e são nossas amigas. Comum também é a existência de uma mosquiteira nos quartos. Os mosquitos são uma grande praga e existe um risco pequeno de apanharmos malária.



A manhã passa num ápice, ao som das fábulas dos grandes aventureiros que me acompanham. Ouço mais uma vez relatos da Índia e convenço-me que tenho de lá ir um dia. Tenho de ver com estes olhos aquilo que ouço...

Um deles, o Ângelo, vende colares e brincos. Passa a manhã a fazê-los com a sua namorada. É assim que se sustentam e viajam. Vida mais simples é impossível.

Mais tarde oferece-me um pendente. Ainda hoje o guardo.


Depois de uma sesta logo a seguir ao almoço, decidimos ir ver uma gruta lá ao fundo nas montanhas. Mas estava tudo fechado. Nada a fazer, resolvemos dar meia-volta e ir ver a vila.

Qual o meu espanto quando, de repente, vejo carros alegóricos por todo o lado. Cada um traz foguetes gigantes e muita malta lá pendurada. Um ou outro vai mascarado de mulher - o que é comum ver aqui nesta região da Ásia. Os foguetes são verdadeiros petardos. São lançados até uma enorme distância e estouram com enorme violência.

No fim deste mini Carnaval, cruzei os meus olhos com um casamento. Foi fantástico... Os casais dançam sem se tocar, apenas andando à volta um do outro, com as mãos a cruzar umas nas outras. Mas sempre sem se tocar! Tudo isto acompanhado com uma música muito simples e calma.

Acabei de presenciar ritual, não haja dúvida. E imagino que seja muito antigo.


Foi mais um dia de emoções fortes. O fim-da-tarde traz muita chuva e o dilúvio é um convite ao descanso, ali na cabana. Enrolo uma manta e vou para a cama de rede. Adormeço a ler as aventuras de Pepe Carvalho, herói literário de Manuel Vázquez Montalbán. E depois durmo.

Amanhã volto a sair do Laos, rumo novamente à Tailândia. 

Rodrigo Ferrão 

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