domingo, 26 de janeiro de 2014

Poemas cantados I: Eu gosto tanto de ti que até me prejudico

Declaração de intenções: 
Sim, sou das letras. Mas não as consigo dissociar da arte visual. Ou da música. Vejo poesia num quadro, numa fotografia - e leio-a tantas vezes nas mais inesperadas das canções. Às vezes só é preciso ouvi-las com mais atenção, esquecer quem as canta ou de onde vêm.

Nesta nova rubrica vou oferecer-vos os meus 50 poemas-canções portugueses preferidos. Só porque sim. Poesia para trautear. Leiam as letras primeiro. Depois vejam os vídeos. Desfrutem.

Ana Almeida

P.S.: Não, não vou incluir nenhum do António Lobo Antunes. Afinal, ele tem uma rubrica só dedicada a ele.

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Eu gosto tanto de ti que até me prejudico
Zeca Medeiros *
 
O amor é um labirinto cativeiro de um desejo,
hei-de cantar o que sinto de cada vez que te vejo,
desaforo, atropelo, que o amor é uma ilusão,
será sonho ou pesadelo traiçoeiro alçapão.
Quando eu te vejo sei que sou palhaço pobre mas nunca palhaço rico.
Quando eu te vejo sei que sou um protelário que de tudo eu abdico.

É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.
É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.

O amor é um desafio, uma doce escaramuça,
é vertigem, arrepio, é uma montanha russa,
talvez escada rolante a subir ao paraíso,
ou mergulho delirante nas marés do prejuízo.
Quando eu te vejo rosa de tantos espinhos, tantos que até me pico.
Quando eu te vejo fico todo afogueado, mais pareço um maçarico.

É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.
É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.

Vai ó seta do cupido sangrar um cravo vermelho, 
do cantor doido varrido que faz da voz um espelho.
Este fado tão grotesco da paixão que é sempre cega, 
será um filme burlesco ou uma tragédia grega?
Quando eu te vejo fico meio atoleimado, fico com os olho em bico.
Quando eu te vejo meio atordoado, quase me dá um fanico.

É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.
É que eu gosto tanto de ti que até me prejudico.

PARA VER O VIDEO SIGA O LINK
http://www.youtube.com/watch?v=58cBIZILNkc

* Zeca Medeiros "é um artista completo, um embaixador das terras açorianas, e a sua música é carismática, repleta de sentimentos precisos, onde impera a melancolia, numa verdadeira festa de emoções. O artista destaca-se pela interpretação intensa dos seus temas, pela sua entrega à arte e vai para além da dicotomia da tristeza e da alegria, dos fados e das folias, fala do fantasma da guerra e dos fantasmas do quotidiano, da autenticidade de um artista que já nos habituou a um registo muito próprio, do carisma que caracteriza a sua forma de estar na vida, dos horizontes vastos da cultura tradicional e contemporânea, sem esquecer o drama, presente nos cenários teatrais que cria e recria na sua obra. Mais do que música, José Medeiros faz das palavras verdadeiras armas de pensamento"

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