quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Esperar por Godot no Porto. Beckett em cena no Teatro Nacional São João


Farsa metafísica de Samuel Beckett publicada em 1952. É considerada a obra-prima inaugural do teatro do absurdo. A estagnação da ação e a prolixidade das réplicas ilustram a amarga ironia de procurar um sentido para a existência sem o encontrar.

A peça de Beckett suscitou no meio crítico teatral um debate infindável que perdura até aos dias de hoje. Afinal, o que é o Godot? O que Beckett - um dos principais representantes do teatro do absurdo ao lado de Eugène Ionesco, Adamov e Jean Genet - queria dizer com aquele diálogo interminável entre dois mendigos que diante do tédio da vida pensam constantemente no suicídio mas não levam a cabo a intenção, pois a corda disponível é fraca.

O diálogo entre Vladimir e Estragon é patético e desesperado, acerca de tudo e de nada. Godot é um ser vago, esperado ao fim de cada dia, que serve de pretexto para resolver a mísera existência sem sentido. Pozzo e Lucky, as duas outras personagens, criam uma forma de jogo, na qual se defrontam com igual indiferença e consciência de inutilidade, no espectáculo do servilismo à sua condição. O mesmo, sob outra perspectiva, que faz de Estragon e Vladimir subservientes e cegos ao interminável preenchimento do tempo da vida, escravos do peso de carregar os dias como uma espera sem qualquer sentido. Pozzo, que tiraniza Lucky como proprietário de suas vontades, é, ele próprio, destituído de desejos passíveis de se concretizarem.


Para cada um de nós que anseia por algo todos os dias, Godot não é coisa nem ninguém. Não é o vazio que não chega. Godot pode ser, sim, a esperança clara do que está para vir. Ficamos "À Espera de Godot". Nada a fazer.

Ao longo deste meio século, desde que subiu á cena no Teatro Babylone, À espera de Godot tornou-se num clássico do teatro contemporâneo, chegando a criar uma «Godotologia» em torno do significado do nome Godot.

Está em cena no Porto, no Teatro Nacional de São João desde o dia 9 de Janeiro e fica até dia 19 de Janeiro, pela direcção do Carlos Pimenta.

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