segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Outro poema pela noite dentro - Marcos Foz

As letras vivem sentadas, acomodadas
enquanto na rua procissões de cães vadios
com marés baixas em dois olhos desfilam
e papagaios emigrantes retornam à gaiola.
Trovoa na gente que tenho dentro
a parte de mim que sonha muda de língua;
a língua com que se fala nas cavernas do céu.
Há tambores mudos no azul, que não rufam
porque não se quer.
Sento-me e as letras levantam-se
num encontro perfeito.

*Marcos Foz


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