sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Emílio Miranda, dia 4

Foto: Cláudia Miranda

As palavras são mágicas; é preciso um mágico para entendê-las
Para tecê-las
Como se fossem teias a crescer dentro da alma
Nos recantos
Nas frinchas iluminadas pela alvorada
Nos lambris frios e graníticos
Do tempo
Onde o coração
Bate em silêncio as horas.
Chamem-lhe relógio
Maquinal invento de um outro mágico
Cujas palavras foram inventadas
Depois da criação.

A saudade é um punhal cáustico
Uma bebida ardente que nos invade
E nos encobre a luz

Diáfano

Apenas o vento conta os teus segredos
Apenas ele os espalha, apenas ele os mistura
E se um dia foram medos ou receios
São areia, fumo, miragem trémula e insegura

Cada um de mim
É apenas mais uma incógnita
Tantos são os dias quanto eus…

Desperto e sonho com o que ainda não fui
Ladrão, pulha e assassino,
Deus.


Emílio Miranda 

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