domingo, 17 de novembro de 2013

Cronicando pela Ásia... pernoitar no meio do nada

Entre a Tailândia e algures no Laos,
05 de Maio 2009

Antes de embarcar oficialmente no Laos, ainda houve tempo para uns apontamentos finais e algumas fotografias... Uma dessas notas foi a descoberta de uma Igreja Adventista do Sétimo Dia - aspecto muito peculiar numa Tailândia budista. 


Olho em meu redor e faço o levantamento da população: duas inglesas, dois americanos (pelos seus 40 e muitos anos), dois neozelandeses, três israelitas e um finlandês.

De repente, o grupo perdeu o representante da companhia de viagens - pirou-se! Depois de alguma discussão, lá confiámos a missão a um novo homem que nos guiou até à fronteira, pediu os passaportes e carimbou o visto de saída. Algumas vacas pastavam ali ao lado, coladas ao posto fronteiriço.


Juntaram-me a mais alguns estrangeiros num grande barco feito de tábuas e chapa. Seguia uma família connosco: a tripulação. Esperavam-me dois dias de viagem. Não sabia bem o que esperar ou pensar. Mas não senti qualquer medo. Deixei-me levar e conquistar pela paz e serenidade daquela paisagem.


A viagem começa. O rio recorta um estreito vale donde emergem montes carregados de um verde tropical, só imaginado por quem o vê. As águas correm rápido e são de um castanho escuro, com inúmeros redemoinhos. Rochas surgem como obstáculos, o perigo sempre à espreita.

A certa altura o barco encosta a outro. Um grupo de miúdos salta para dentro do nosso - querem vender cerveja, bebidas, batatas fritas e os snacks do mundo Ocidental. Compro uma caixa de pringles, naquela que será a minha única refeição antes de anoitecer.


Entre uma descansada e outra, umas fotos e uma leitura rápida de um livro, o tempo foi correndo. Devagar, como se quer... O grupo atracou no meio do nada - era fim da tarde. Vejo vacas e búfalos a descontrair na margem. Fios de pesca, barcos e umas pequenas casas ao fundo. 

Nunca o conceito de inóspito fez tanto sentido. A noite promete...


Rodrigo Ferrão

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