terça-feira, 29 de outubro de 2013

É do borogodó: refém

penetra-me a palavra
o recôncavo do peito.
Palavra de sal e beijo
de espuma: tens-me refém.
Lá fora suplicam os sons
desditos na curva da escápula.
Aqui dentro, sons não-ditos
roçam lóbulos a folhear
dicionários do fim
ao recomeço.

Penélope Martins

aquarela de Van der Moes
 

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