quinta-feira, 12 de setembro de 2013

É do borogodó: o caso do bolinho e Belinky

"Naquele dia o avô tinha pedido para a avó fazer um bolinho gostoso para os dois comerem. A vó misturou farinha com creme de leite, formou um bolinho bem redondinho e pôs no forno para assar.
O bolinho – hummmmmm – ficou gostoso e cheiroso, mas quente não poderia se comer, por isso a avó colocou na janela para esfriar.

Com aquela brisa da tarde, a maravilha de mundo pela frente, tantas coisas para descobrir e viver, o bolinho decidiu usar a esperteza e rolou fora da bandeja…

Rolou e rolou, mas logo encontrou a lebre que o farejou pelo bom gosto:
- Bolinho, bolinho eu vou comer você…
E o bolinho disse que antes que ela o comesse, ele cantaria sua canção:
- Eu sou um bolinho redondo e fofinho de creme recheado na manteiga assado. A vó não me pegou, o vô não me pegou e você não vai me pegar.
Zapt! O Bolinho de novo rolando para longe da lebre.

Rolou, rolou, mas logo encontrou o lobo que o farejou pelo bom gosto:
- Bolinho, bolinho eu vou comer você…
E o bolinho disse que antes que ele o comesse, ele cantaria sua canção:
- Eu sou um bolinho redondo e fofinho de creme recheado na manteiga assado. A vó não me pegou, o vô não me pegou e você não vai me pegar.
Zapt! O Bolinho de novo rolando para longe da lebre.do lobo.

Logo depois, o bolinho encontrou a raposa e também começou a cantar. A raposa imediatamente disse:
- Que linda voz, que suave canção.
O bolinho ficou impressionado com o elogio. A raposa continuou:
- Pena que sou quase surda, mal posso ouvir… Por que você não pula aqui no meu focinho para cantar, senhor bolinho?

O bolinho muito esperto, mas muito mais vaidoso, pulou, e a raposa, astuta como só ela, nem esperou a canção começar para nhact. A raposa comeu o bolinho e acabou com a fome que roncava na sua barriguinha."


* Tatiana Belinky  nasceu em Petrogrado (São Petersburgo, na Rússia) em 1919, mas viveu quase toda sua vida no Brasil, até junho deste ano de 2013. Autora de mais de 250 livros, crítica literária, tradutora e roteirista de televisão, Tatiana dizia em entrevistas que sempre foi uma bruxinha, mas que depois descobriu que sua verdadeira vocação era para ser boneca de pano tal qual Emília, personagem de Monteiro Lobato. Tatiana Belinky foi responsável pela primeira adaptação da obra de Monteiro Lobato para televisão, nos anos 60, com o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.
Dos contos de Tatiana, “O caso do bolinho” é um dos mais conhecidos pelas crianças. "Os dez sacizinhos" é outra história também muito gostosa de contar aos pequenos.

Penélope Martins

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