sábado, 7 de setembro de 2013

Abrindo o livro de Dostoiévski - «Noites Brancas»

... Ou foi criado para ficar 
Pelo menos por um instante
Perto do teu coração?

I. Turguénev

PRIMEIRA NOITE

                                                                                                                               Era uma noite divina, uma
noite que só pode haver, querido leitor, quando somos jovens! O céu estava tão estrelado, tão límpido que, olhando para ele, nos podia escapar a pergunta: será possível viver sob este céu gente zangada e injusta? Jovem é também esta pergunta, querido leitor, muito jovem, mas oxalá Deus a mande mais vezes à tua alma!... Por falar de genteinjusta e zangada, não poderia também deixar de me lembrar do meu lindo comportamento durante todo o dia que passou. Desde manhã que uma mágoa esquisita me começou a atormentar. De tão solitário que sou, parece que toda a gente me abandona e renega. Ora, qualquer um tem o direito, claro, de perguntar: mas quem é essa «toda a gente»? Porque eu vivo há oito anos em Petersburgo e ainda não arranjei praticamente nenhum conhecimento. 

*in Noites Brancas, leitura conjunta do blog - mês de Setembro. 

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