quarta-feira, 17 de julho de 2013

Charles Bukowski encontrado no mural de Alice Vieira e traduzido por Julieta Monginho

ELES E NÓS

estavam todos na varanda da frente
a conversar:
Hemingway, Faulkner, T.S.Eliot,
Ezra Pound, Hamsun, Wally Stevens,
e.e.cummings e alguns outros.

"ouve lá", disse a minha mãe, "não podes
pedir-lhes que parem de falar?"

"não", disse eu.

"só dizem disparates", disse o meu
pai, "deviam era arranjar
emprego"

"eles têm emprego", disse
eu.

"uma treta", disse o meu
pai.

"exactamente", disse
eu.

nesse preciso momento Faulkner entrou
a cambalear
encontrou o uísque no
armário e saiu com
ele.

"uma pessoa terrível"
disse a minha mãe.

então levantou-se e foi espreitar
à varanda
"e está uma mulher com ele",
disse ela, "embora mais pareça um
homem".

"é a Gertrude", disse
eu.

"há outro tipo a exercitar os
músculos", disse ela, "gaba-se de
conseguir açoitar três de entre
eles"

"é o Ernie", disse eu.

"e ele", o meu pai apontou para mim,
"quer ser como eles!"

"isso é verdade?", perguntou a minha mãe.

"não como eles", disse eu, "mas um
deles".

"vais arranjar um rico trabalho",
disse o meu pai.

"cale a boca", disse eu

"o quê?"

"eu disse, "cale e boca", estou atento à conversa
destes homens"

o meu pai olhou para a mulher:
"isto não é filho
meu!"

"espero bem que não", disse eu.

Faulkner voltou a entrar cambaleando.

"onde é que está o telefone?"
perguntou.

"para que raio é que o quer»?", perguntou
o meu pai

"o Ernie acabou de rebentar os
miolos", disse ele.

"vês o que acontece a homens
como esses?", gritou o meu pai

levantei-me
devagar
e ajudei o Bill a encontrar
o
telefone.


CHARLES BUKOWSKI
(tradução de Julieta Monginho)



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