quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cronicando pela Ásia... Cambodja: a fronteira

Cambodja, 
18 de Abril 2009

Mesmo antes de entrar neste país, uma pequena descrição da situação na fronteira. Saí da estação e fui levado para uma casa no meio do nada. Para fazer o quê? Bem, nada mais simples: tirar o visto! Sim, tudo aquilo era estranho e nada se assemelhava a uma fronteira. Na verdade não era. Estava ainda uns bons metros à frente. Ali negociava-se a entrada num país. Sem se saber, de facto, se aquele carimbo serviria para alguma coisa.


Tiraram uma foto a cada pessoa e cobraram 1000 Bat para seguir. Queriam acrescentar também a viagem para o destino, mas, para descontentamento dos locais, os estrangeiros resolveram fazer uma aliança e decidi-lo a partir do Cambodja - e não da Tailândia. De facto, foi a melhor opção.

Passei para o lado de lá. Mas não julguem que foi uma recepção calorosa. Na verdade, caminhei por uma terra de ninguém, um bom par de metros. Vi vários tropas armados, alguns muros com arame farpado, um casino (ridículo) no meio daquelas fronteiras - naquilo que parecia ser uma zona de "não agressão". Estradas de pó e gente com a cara tapada. Diria que foi algo assustador.


Fizemos negócio com um táxi para seguirmos para uma pequena cidade junto a Angkor Wat: quarenta dólares, dez a cada. Fomos pelo caminho menos legal, queriam obrigar os estrangeiros a seguir de camioneta. Mas isso tinha implicado pôr em cima da mesa mais dez dólares.

E fizemos alguns quilómetros. Demorámos ainda umas poucas horas para chegar ao destino. Não por culpa da distância, mas porque a estrada era terrível. Havia sítios onde pura e simplesmente havia um grande buraco e os veículos contornavam pela terra batida ao lado. O condutor tinha que estar atento às vacas, motas, pequenos carros apinhados de gente que desgovernadamente se cruzavam por todo o lado. Aproveitei para dormir um pouco - mesmo assim, tirando uma ou outra foto.

Tudo aqui é mais seco e há pouca vegetação. Dá para perceber que é francamente mais pobre que a Tailândia. Na berma da estrada vendem-se recargas de gasolina para os motociclos em garrafas da pepsi, fanta ou coca-cola. 

Dirigi-me a uma Guest House. O calor é absolutamente letal. Sou recebido por uns cãezitos e deixo ficar as coisas. Vou ao multibanco e sou confrontado com novo desafio: duas moedas - a local e "os" dólares. Tirei algum dinheiro local, mas depressa percebi que não foi boa ideia... 


Rodrigo Ferrão

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