sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Eu li assim "Maldito Karma"

Maldito Karma é um livro de leitura fácil e corrida. Não pretende ser um hino a qualquer tipo de linguagem erudita ou uma narrativa carregada de exagerados estilismos. É uma história simples e objectiva.

O segredo desta aventura? Se pudesse resumir tudo numa palavra, facilmente elegeria "humor".

É esta a principal arma do romance e da sua personagem central: uma conhecida cara da televisão alemã. O tema é a reencarnação. Kim Karlsen deixa o mundo dos vivos cheia de pecados e maus comportamentos. E reencarna numa formiga. Depois vai reencarnando em outros animais (com avanços e recuos, ou melhor dizendo "processos de adaptação e aprendizagem"), subindo de escala sempre que acumula (na presente vida e no animal em que encarna) bom Karma. Assim vai trepando até se tornar, novamente, humana. Mesmo que o seu corpo nada tenha a ver com a jovem e sensual mulher que tinha sido várias vidas antes...

O objectivo? Corrigir o passado e estar próxima do seu ex-marido e filha. No entanto, nada parece ser fácil, porque o marido (já depois de refeito o luto) junta-se à sua melhor amiga.

A história anda em torno destas questões: será que Kim consegue transmitir às pessoas que ama - as da sua primeira vida - que ela é, de facto, a gloriosa estrela de televisão? Que é mãe e mulher dos que deixou? Prova que mudou radicalmente os seus comportamentos mais incorrectos e é hoje uma pessoa diferente?

Dúvidas que deixo para as vossas leituras. Os tópicos estão lançados, contar mais pormenores seria explicar o livro todo.


Há um aspecto que não gostei. É a reprodução de trechos em que a personagem se vê obrigada a cantar músicas. Isto acontece sempre que Kim tenta revelar quem é (ou foi) às pessoas que conhece. A tradução adapta conhecidas canções populares portuguesas - acho que seria preferível manter as que o autor escolheu originalmente e deixar uma nota de tradução.

Maldito Karma é um livro que aconselho a pessoas de bom humor. Mas também àquelas que querem tratar maus feitios. Trata da morte e do que o autor imagina existir depois dela. Sempre com ligeireza e grandes peripécias, num clima constante de aventura. Não sendo um livro extraordinário, tem o dom de entreter e fazer soltar umas risadas. Confesso que, por alguns momentos, nem queria acreditar nas asneiras e alhadas em que a personagem se metia. Tem pensamentos arquitectonicamente carregados de boa disposição.

Cuidado! Se estivermos a ler este livro num transporte público, facilmente seremos olhados de lado por estarmos a rir sozinhos.

Esta foi a leitura conjunta do mês de Outubro. Resta-me agradecer ao Diogo Martins que trouxe a proposta até nós. Bastante descontraída e, creio, mesmo ao estilo dele.

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