domingo, 18 de julho de 2010

O burburinho em torno do fenómeno dos Vampiros

Muito me contam os leitores! Bem percebi que era um fenómeno, este da Stephenie Meyer. Mas, além das opiniões que as pessoas que acompanham este blogue deixaram aqui, fui pescar muitas mais ao facebook. No grupo 'Pessoas que adoram ler e partilhar experiências literárias', que desde já aconselho a visita, desenvolveu-se um debate alargado. Destaque para o diálogo mais aceso protagonizado pelo jovem autor Fábio Ventura. Aqui ficam mais opiniões...

Fábio Ventura: 'Eu li os três primeiros livros há muito tempo, ainda ninguém conhecia as obras de Meyer por cá. Embora não me tenha tornado propriamente fanático pelo universo Twilight, confesso que gostei da leitura, em especial do primeiro livro. Para mim, era uma perspectiva nova e cativante sobre o mundo dos vampiros. Não que seja melhor ou pior que os vampiros de Anne Rice, por exemplo, mas diferente.

Creio que o fenómeno se pode explicar por dois elementos principais. O primeiro tem a ver com o próprio estilo e estrutura da história que, revelando a inteligência da estratégia da autora, se baseia nas inseguranças, pensamentos femininos e atracção por amores proibidos com os quais as leitoras (e alguns leitores) se identificam bastante. O segundo relaciona-se com todo o mediatismo em volta da saga que foi intensificado pelos filmes. Acabou por tornar-se moda gostar de Twilight, especialmente depois de todo o império mediático baseado nos actores do filme.

Enfim, é a minha opinião enquanto leitor e autor. Gosto da saga, embora considere que são apenas livros que não devem ser defendidos fortemente ou criticados cruelmente como se de uma guerra se tratasse (e como tenho visto bastante por aí). O facto é que Stephenie Meyer colocou milhares de jovens a ler e a gostar de ler.'

Rodrigo Ferrão: 'Exactamente o que penso, Fábio. No meio de tudo, o que realmente importa é pôr os jovens a ler. Não sei se alguma vez te puseste a pensar, enquanto autor de 'orbias', que, também tu, tens esse papel. Não estou a comparar um fenómeno de 100 milhões com o teu livro. Nem a temática é igual, embora se possa considerar o mundo da tua deusa guerreira o da ficção fantástica.

O que é espantoso é que, antigamente, as secções de fantasia / horror (eu não concordo muito em misturar) era reduzida a muito poucos. Aliás, entregue a Anne Rice ou a Asimov - autor de ficção científica e de outros estilos, por exemplo. Hoje são verdadeiras áreas de destaque.

E é um pouco o que digo na minha opinião no blogue: quem não tem, fica para trás...'

Fábio Ventura: 'Tenho consciência disso, sim =) Eu sei que a Stephenie Meyer e outros autores de destaque do Fantástico me abriram as portas para conseguir editar a minha obra. Nesse aspecto, só tenho a agradecer e a respeitar esses autores. O género Fantástico é um género que adoro ler e escrever, por isso, é um previlégio fazer parte dessa "explosão".

O que infelizmente acontece com este novo interesse pelo Fantástico e Horror é a perda de originalidade, um pouco baseada na moda. Não estou a tirar o mérito a outras obras de vampiros ou romances sobrenaturais (que entretanto também já se tornou um subgénero), mas a oferta deste género chega a ser tanta que chega a ser difícil encontrar uma obra mais original e inovadora. Enquanto autor, a minha maior prioridade é a originalidade.'

Rodrigo Ferrão: 'Sim, talvez passasses despercebido se não existisse uma abertura da sociedade em relação ao fantástico. Ou melhor, até podias publicar, mas eu, como livreiro, jamais reconheceria a capa do teu livro. E hoje, apesar de não te conhecer pessoalmente nem a tua obra, sei que existes e sei a história. E melhor (esta é uma grande técnica livreira), associo o teu nome e o título à capa da tua obra... Isso seria impensável aqui há uns tempos. Sejamos realistas, mais depressa me lembraria de um clássico Kafka do que um Fábio Ventura! Não estou, obviamente, a menosprezar o teu valor nem a comparar coisas incomparáveis.

Será que imaginas algum dia escrever noutro estilo?'


Fábio Ventura: 'Sim, concordo contigo. E sim, a minha ideia é tornar-me o mais versátil possível. Quero explorar outros géneros e estilos de forma a desafiar-me a mim próprio e a oferecer diferentes experiências aos leitores. A minha estratégia é caminhar aos poucos, ir agradando ligeiramente a públicos mais velhos e nessa altura explorar outro género. Creio que não seria bom mudar tão repentinamente. Espero ter a oportunidade para continuar a publicar. Sento tão novo, terei muuuito tempo ;)'

Alexandra Oliveira: 'Uma saga mais para o juvenil, muito leve que retrata um mundo fantástico! É agradavel sem nada de profundo!! Estou a ler o eclipse para poder ver o filme e logo desde as primeiras paginas nos prende!'

Filomena Vitorino: 'Li todos os livros e confesso que gostei bastante (ligeiros, leitura fácil). Na minha opinião, estes livros prendem os jovens, pelo fantástico, e as mulheres, pela história de amor (foi aqui que me prendeu a mim....). Mas o tema entretanto ficou demasiado explorado, o que é demais enjoa (faz-me lembrar, aqui há uns anos atrás, o fenómeno do tema religioso que se iniciou com o Dan Brown)!'

Vera Silva: 'Eu li a saga. Inicialmente, fui movida pela curiosidade gerada por todo o alarido que envolvia a obra literária e sobretudo o filme (o primeiro já havia estreado nas salas portuguesas).

Gostei do primeiro livro.Gostei da originalidade, das personagens, do enredo. A leitura é fácil e prende. Quanto aos outros volumes já não posso dizer o mesmo. Confesso que os li já mais por teimosia que por gosto. A história torna-se repetitiva, monótona e, na minha opinião, demasiado longa sem grandes picos de acção.
Mas a realidade é que vende e está sempre nos Tops. Se isso acontece é porque o público gosta e ainda bem. Não acho nada de errado nisso, pois a qualquer lado que vou, ouço jovens a discutirem e a competirem entre eles sobre quem vai mais avançado na leitura do «Eclipse» ou do «Amanhecer»... É melhor do que ouvir dizer «tás marado ou quê? Ler é uma seca!»'

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